Para onde vai o lixo?
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Para a maioria das pessoas não vai mudar nada. Quando o Aterro da Caximba for desativado como o previsto, no meio de 2009, o lixo vai continuar sendo recolhido na porta das residências e levado para algum lugar. O serviço não vai parar. Mesmo que o impasse na escolha da área que vai receber o lixo de Curitiba e de outras 15 cidades -que fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos- não afete grande parte da população de Curitiba e região metropolitana, uma parcela do povo se preocupa com o assunto que corre em gabinetes e tribunais de Justiça: os moradores das três áreas visadas para se tornar a "nova Caximba".
Entre 30 locais analisados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), três foram considerados ideais: o próprio bairro da Caximba, em Curitiba, onde hoje funciona o aterro de mesmo nome, uma área em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e outra em Mandirituba, também na RMC. A escolha do local e a abertura da licitação para escolher a empresa que deve assumir a usina de processamento do lixo dependia da realização de audiências públicas com a população dos três lugares.
Na semana passada, as audiências que estavam marcadas em Fazenda Rio Grande e Mandirituba não se realizaram depois da decisão de adiamento da juíza Patrícia Almeida Gomes Bergonze, da Vara Cível de Fazenda Rio Grande. No bairro da Caximba, a audiência também foi suspensa por 30 dias.
O processo de licenciamento ambiental para escolher qual área vai receber a usina de processamento do lixo só poderá ser realizado depois que as audiências públicas sejam feitas nos municípios, o que deve acontecer até o fim de janeiro de 2009. Enquanto isso, nada está definido.
Em nota, o IAP informou que "a audiência pública é uma das etapas do processo de licenciamento ambiental -que, devido à suspensão das audiências solicitadas pelo Ministério Público, deverá se estender por mais tempo que o previsto". De acordo a assessoria do IAP, nenhum profissional do instituto poderia sanar mais dúvidas sobre o processo de escolha do novo aterro e do impacto ambiental no locais por estarem todos com a "agenda lotada".
Também procurados pela reportagem da FOLHA, representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos não responderam até o fechamento desta edição.
De acordo com a Prefeitura Municipal de Curitiba, o novo espaço não será um aterro e sim uma indústria que terá o lixo como matéria-prima. A intenção é reciclar as 2,4 mil toneladas de resíduos produzidos diariamente por Curitiba e pelos 15 municípios que fazem parte do consórcio. A previsão é que todo o montante de lixo seja transformado em adubo e material energético.
Ainda de acordo com a prefeitura, o objetivo é de que apenas 15% de rejeitos já processados sejam tratados em aterro sanitário. Essa parcela do lixo seria de baixo teor de umidade e não composto de matéria orgânica, sendo inerte, não produzindo chorume e cheiro.


