Curitiba - A construção civil é responsável por 50% dos resíduos sólidos gerados nos municípios. Só Curitiba gera diariamente três mil caçambas de lixo da construção, o que significa 15 mil toneladas de entulhos, em restos de cal, cerâmica, tijolos, madeira e gesso, entre outros descartes. O destino de todo esse material é um assunto que incomoda autoridades do meio ambiente. Apesar da existência de leis federal e municipais sobre o descarte da construção civil, a escassez de aterros e usinas licenciadas, dificuldades de fiscalização e falta de consciência da população são a combinação perfeita para que parte desse lixo seja despejado em terrenos baldios e fundos de vale.
Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2002 estabelece diretrizes para o descarte, cabendo ao Estado e municípios estabelecer regras próprias. Tanto em Curitiba como em Londrina, obras maiores são obrigadas a apresentar um plano de gerenciamento de resíduos, especificando qual será o destino de cada tipo de material usado na obra. O plano deve ser entregue para liberação da obra. No final, para obtenção do Habite-se, é preciso comprovar o destino dos descartes. Em Curitiba, toda obra acima de 600 metros quadrados tem que ter o projeto de gerenciamento.
O problema, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) são os pequenos geradores. ''As grandes empresas fazem treinamento com os funcionários, têm programas para racionalizar uso do material e as sobras são destinadas para usinas ou aterros. O problema é o pequeno, que em geral contrata uma caçamba ou um caminhão para levar o lixo'', afirma o vice-presidente do Sinduscon na área do Meio Ambiente, Almir de Miranda Perru.
A estimativa é que 60% do lixo da construção são provenientes de obras informais. O Sinduscon, segundo ele, tem planos tanto para disseminar as boas práticas na área entre as empresas, como para envolver os pequenos construtores nessa discussão. A intenção é procurar as empresas que alugam caçambas para discutir juntos o destino dos resíduos. ''Esse é um problema cultural, de conscientização'', diz.
Sema
O secretário municipal do Meio Ambiente de Londrina, José Novaes Faraco, concorda. ''Vai da consciência das pessoas, nós não conseguimos ter controle de tudo'', admite. Mas na região de Londrina, segundo ele, as grandes empresas também descumprem a lei. ''Quase todas já foram autuadas'', diz. Na região, segundo ele, existe apenas um aterro licenciado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o qual cobra caro para receber os resíduos.

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