A cada ano, são apreendidos milhões de reais no País, resultantes de ações criminosas como estelionato, tráfico de drogas e assaltos. Saber o valor deste montante é difícil. As polícias civil e federal dizem não ter levantamentos precisos, e a comunicação com o número de telefone divulgado na internet para contato com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) não é possível uma gravação informa que o serviço não está disponível. O órgão foi criado em 2002 para gerenciar os recursos provenientes do tráfico ilícito de produtos e de drogas.
Segundo o delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, o volume de dinheiro apreendido pelos policiais na região não é grande. ''Nossa realidade é diferente daquela encontrada no Rio e São Paulo, por exemplo. O traficante, por aqui, nunca está com muito dinheiro. Apreendemos mais bens, como automóveis, do que dinheiro.''
O delegado informa, porém, que todo montante interceptado pela polícia é depositado em uma conta judicial vinculada ao acusado. No caso dos cheques, são compensados para que o depósito seja feito. Antes, porém, uma cópia de cada um é anexada ao processo. Em se tratando de crimes na esfera federal, os depósitos são feitos na Caixa Econômica Federal; no caso de crimes julgados pela justiça comum, o dinheiro fica retido no Banestado.
As contas são mantidas até que o caso seja julgado e não haja mais possibilidade de recursos. Se houver condenação, o dinheiro, com juros e correção monetária, vai para o Tesouro Nacional, através da Senad. Se o réu for inocentado, recebe a quantia também corrigida de volta.
De acordo com o artigo 47 da lei nº 10.409, de janeiro de 2002, a Senad poderá firmar convênios com o governo federal e Estados para usar o dinheiro na implantação e execução de programas de combate e prevenção ao tráfico e ao uso indevido de ''produtos, substâncias ou drogas ilicítas ou que causem dependência física ou psíquica''.
Já os carros apreendidos são mantidos em poder da polícia em depositários públicos ou no próprio pátio das sedes, como é o caso da PF de Londrina. Atualmente são 17 veículos e uma moto à espera da sentença judicial, que ficam sob sol e chuva. Entre os veículos, o mais antigo é um Fusca ano 1969, e o mais novo um Gol 2005. ''Não podemos fazer seguro destes carros, então eles ficam impossibilitados de ser utilizados. Se porventura acontecer algo com um deles, não temos recurso disponível para o conserto'', explica Santos.
Como cada processo pode levar anos, a deterioração é inevitável. Há casos em que a burocracia também contribui para a perda. ''Teve uma aeronave que estragou no pátio da Receita Federal e foi perdida porque a Senad não se manifestou em relação à sua destinação'', lembra o delegado.

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