O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, Carlos Miguel Aidar, divulgou ontem uma nota oficial avaliando as implicações do assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente (565 km a oeste de São Paulo), Antônio José Machado Dias, 47, na última sexta-feira. O juiz teve seu carro fechado e foi assassinado com quatro tiros logo depois de deixar o fórum da cidade. Dias era corregedor de presídios da região entre eles, o de Presidente Bernardes, onde estão os presos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
''Foi, sem dúvida, uma das maiores afrontas que a magistratura paulista já sofreu, demonstrando o alto grau de ousadia que vem atingindo o crime organizado em todo o país e a certeza de que elegeu novos alvos'', diz a nota, que pede rapidez na apuração do crime e lembra a defasagem entre a atuação das organizações criminosas e o sistema tradicional de segurança pública. ''As autoridades públicas estaduais não estão conseguindo acompanhar o crescimento e a sofisticação do crime organizado, propiciando a criação de uma lacuna perigosa, pela qual a violência criminosa pode se sobrepor ao Estado.''
A polícia já tem o retrato-falado de dois suspeitos de matar o juiz. Testemunhas que viram o crime quando o juiz teve seu carro fechado por um Uno antes de ser atingido por quatro tiros ajudaram os investigadores a chegar à imagem de dois homens, um negro e outro branco, de aparentemente 30 anos e 1,75 metro.
O corpo do juiz foi sepultado às 17h30 de sábado, no Cemitério São Paulo, na zona oeste da capital. Em clima de comoção, centenas de pessoas entre autoridades do governo, magistrados, membros do Ministério Público e parentes acompanharam o enterro. ''Vim trazer nossa solidariedade à família do juiz e ao Poder Judiciário de São Paulo. A determinação do governo é de rapidamente elucidar esse crime e prender os criminosos'', afirmou o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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