'Para o mundo lá fora, eu morri'
Há seis anos na Casa do Bom Samaritano, Mário Pereira Lima, 73 anos, é um dos ''esquecidos'' que acabaram permanecendo na entidade por não ter para onde ir. Depois de perder o vínculo com a família, após uma série de episódios violentos, Lima caiu no alcoolismo e ficou sem emprego e sem lar. Ele foi encaminhado para o albergue depois de passar por um período de internação no Hospital Universitário (HU) de Londrina.
''Estou desaparecido da sociedade. Para o mundo lá fora, eu morri'', sentencia o homem que trabalhou em diversas funções e empresas. Hoje, no abrigo, Lima faz as vezes de eletricista e carpinteiro, e ''não fica parado um minuto''. Ele nunca mais teve contato com a família.
Recém-transferido do abrigo mantido pela ONG Camor, Reginaldo de Oliveira, 24 anos, também não tem visto mais a família. Aqui se repete o histórico de alcoolismo: Oliveira começou a beber com 13 anos de idade. Ele diz que parou há um mês, mas que ''às vezes sente falta''.
Também fazem falta os amigos que fez no abrigo da ONG, lamenta.''Eu trouxe esses quatro comigo, eu cuidava deles no outro abrigo'', conta, apontando para outros transferidos que exigem cuidados médicos. Com relação ao fechamento de seu ex-abrigo, Oliveira critica a postura do Município. ''A prefeitura tinha que fazer alguma coisa, mas eles só vêm para pôr defeito''.





