O clima entre os funcionários da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) ontem ainda era de expectativa sobre os rumos da empresa com a mudança da sociedade. Até o final da tarde, eles ainda não tinham sido comunicados da saída dos Irmãos Lopes do negócio nem da entrada do Grupo Constantino.
A Prefeitura foi comunicada verbalmente sobre a venda da empresa pelos próprios diretores da TCGL na quarta-feira. Os diretores continuam evitando falar sobre o assunto. O comprador, Pedro Constantino, não foi encontrado pela Folha nos dois últimos dias. Até o final da tarde de ontem, a Prefeitura não havia recebido comunicação oficial sobre a mudança de sociedade. E já se fala na possibilidade de ter sido feito um contrato de gaveta - nesse caso, os irmãos Lopes continuariam respondendo oficialmente pela TCGL.
‘‘Para nós, o patrão ainda é o Manoel Lopes’’, disse o presidente da Associação dos Funcionários da Grande Londrina (Afugel), Mário Proença Zacarias. Ele comenta que funcionários estão procurando a entidade em busca de alguma informação sobre a venda. Na sua opinião, a corrida por informações se deve mais à curiosidade. ‘‘Só muda o patrão. A Grande Londrina continua.’’
A procura por esclarecimentos também foi grande no Sindicato dos Rodoviários (Sintrol). Segundo o presidente, Evanildo Pinto Rodrigues, ontem os telefones não pararam de tocar e muitas pessoas foram ao sindicato. Mas até ontem nem o próprio sindicato tinha conseguido conversar com os diretores da TCGL ou do Grupo Constantino.
As dúvidas dos funcionários devem ser esclarecidas hoje em reuniões a serem realizadas pelo Sintrol. A intenção, de acordo com Rodrigues, é tranquilizar os funcionários. ‘‘Essa transição de sociedade não afeta o funcionamento da empresa.’’ Informações extra-oficiais revelam que 12 funcionários de confiança dos Irmãos Lopes foram dispensados ontem. No Sintrol, apenas um passou para fazer o acerto.
O prefeito Antonio Belinati disse que não haverá dificuldade para garantir o emprego do pessoal da TCGL. ‘‘Londrina está em crescimento e vai precisar de mais funcionários no transporte.’’ Com relação à possibilidade de prorrogação do contrato da TCGL por mais 10 anos, conforme reivindica a empresa na Justiça, Belinati responde que qualquer decisão do Município dependerá do parecer de um jurista de fora da Cidade que, segundo ele, já está sendo contratado. A Constituição federal e a Lei Orgânica do Município determinam licitação ao final de contratos de serviços.
O contrato de concessão da TCGL terminou em 27 de janeiro. A concorrência ainda não foi concluída por pendências judiciais. O transporte coletivo está sendo efetuado pela TCGL (85% das linhas) e Francovig (15% - 10 linhas da zona sul) através de um decreto municipal, que vence em 28 de julho. A partir daí, o serviço será feito por autorização, até que seja concluído o processo licitatório. ‘‘Não pretendemos fechar as portas para o Grupo Constantino, mas não posso colocar meu mandato em risco’’, argumenta Belinati. Ele acredita que, se o município decidir pela prorrogação sem argumentos constitucionais, corre o risco de ação popular pedindo sua cassação.
A TCGL teria sido vendida, segundo fontes extra-oficiais, por R$ 60 milhões. O transporte coletivo em Londrina movimenta cerca de R$ 3,54 milhões mensais. Números da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) revelam que todo o sistema transporta em média 5,9 milhões de passageiros por mês.

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