O Ministério Público de Guarapuava é contra a libertação da irmã Anilse Terezinha Bianchini, presa desde o dia 24 de junho, acusada de coagir testemunhas no processo que investiga o envolvimento dela em adoções irregulares e maus-tratos de crianças. O promotor Cláudio Félix, responsável pelo parecer, argumenta que a soltura da religiosa repercutiria mal junto à sociedade, passando a impressão de impunidade. Além disso, a Promotoria alega que antes de libertar a freira a Polícia Federal precisa investigar a remessa de crianças para o exterior, como foi ventilado durante os depoimentos.
Segundo o promotor, irmã Anilse foi citada por vários depoentes como contato de famílias estrangeiras interessadas em adotar crianças em Guarapuava. Uma das testemunhas contou ter visto um álbum com fotografias onde aparecia a freira na Itália e na França e que, segundo relatos de outras funcionárias, esses países teriam recebido os recém-nascidos.
O promotor Cláudio Félix citou também que a libertação da freira iria interferir no processo que investiga pessoas ligadas a ela e as adoções irregulares. ‘‘Nós temos informações que essas pessoas também ameaçaram testemunhas e a presença da irmã poderia fortalecer tais artifícios’’, citou o promotor. Félix ainda lembrou o clima de terror que se instauraria na creche dirigida pela religiosa e de onde saíram as principais testemunhas de acusação. A revogação da prisão preventiva era acompanhada com apreensão pelas funcionárias, que temiam retaliações e perseguições.
A juíza da 1ª Vara Criminal, Carmem Silvana Zolandeck Mondin, recebeu o parecer do Ministério Público ainda na manhã de ontem, mas até o final do expediente no fórum não tinha decidido sobre a libertação da freira.
Já na terça-feira, o advogado da freira, Miguel Nicolau Júnior, garantiu que recorreria ao Tribunal de Justiça, via liminar, para tentar um habeas-corpus. O advogado reclama da pressão sofrida por parte da congregação a que a religiosa pertence, as Vicentinas. ‘‘Eles querem que nós acionemos o Tribunal de Justiça para obter a revogação da prisão’’, desabafa o advogado. O Tribunal, se acionado, tanto pode decidir em 48 horas sobre o habeas-corpus como pode demorar até 40 dias para definir sobre a soltura da irmã Anilse, explicou Nicolau.

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