Para judeus, casamento também é sabedoria
O casamento não é só paixão. É sabedoria e também segurança, define Ethel Reimberger, uma curitibana que teve seu casamento arranjado por um rabino. Ethel é mulher de Saul, que também é rabino da comunidade de Atibaia, no interior de São Paulo. Os dois se conheceram em Nova York, nos Estados Unidos, onde estudavam em escolas religiosas. Casaram depois de dois anos com a permissão dos pais. Já estão juntos há oito anos.
Só pudemos conversar depois de meses de diálogos silenciosos com os olhos, lembra Ethel. Os dois se viram pela primeira na sinagoga, na cerimônia do Dia do Perdão. Entre os ortodoxos, o homem não olha para a mulher, dentro da sinagoga, para evitar a desconcentração nas rezas, diz. Mas, mesmo separado por uma pequena tela de proteção, os dois cruzaram os olhares.
A nossa troca de olhares não foi discreta, tanto que a comunidade percebeu o interesse, diz. Sem que eles soubessem, os mais velhos aprovaram a escolha. Nem sempre isto acontece. Se o rabino entende que um par não vai prosperar no futuro, ele acaba com o noivado, afirma. Ninguém contesta a decisão.
Pouco a pouco, sem que o casal percebesse, o rabino foi aproximando os dois. Eles passaram a dividir tarefas comuns. Iam em festas onde as famílias passaram a conviver mais proximamente. As famílias tinham recebido o aval do rabino e fizeram tudo como se fosse uma conquista da gente, comenta Ethel.
Ela diz que o resultado desse processo foi positivo. Acho que os mais velhos sabem o que é mais adequado e evitam erros desnecessários, avalia. Atualmente, este tipo de casamento, tão comum nas passagens bíblicas, está restrito apenas a algumas facções dos ortodoxos.





