Para INSS, atestado de lesão não prova doença
O médico Yegor Moreira, supervisor regional de nove peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social em Cascavel, afirma que só os laudos de profissionais do instituto podem atestar casos de Doença Ocupacional Relativa ao Trabalho (Dort), ou, como era caracterizada inicialmente, Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Yegor rechaça acusações que lhe estão sendo dirigidas por sindicatos de trabalhadores que estaria impondo o retorno ao trabalho, apesar de solicitação de afastamento (licença) feita por médicos particulares.
Segundo o advogado Euclides Panassolo, portadores de Dort são tratados com menosprezo e o INSS teria uma política deliberada de negar-lhes benefícios previdenciários decorrentes de afastamento do trabalho. Panassolo já obteve liminares na Justiça local, obrigando empresas a pagarem o auxílio-doença em pedidos de reintegração de demitidos. As acusações contra Yegor Moreira chegaram ao procurador da República em Cascavel, Celso Três, que está instruindo representação à Justiça Federal, e inquérito pela Polícia Federal, contra o supervisor.
O procurador pedirá a exoneração de Yegor, porque ele também assessora empresas na área médica, por isso incorreria em improbidade administrativa. Celso Três diz que ele patrocina interesses privados usando o cargo público, e trafica influência no INSS. O supervisor se defende, afirmando que as assessorias são legais, de acordo com portaria existente, e nega tráfico de influência, dizendo que, nas empresas, evita se envolver com casos alegados de Dort. No instituto não realizo perícias, apenas repasso normas aos peritos e confiro os laudos, afirmou.
Yegor salientou que há muita desinformação sobre as normas, o que estaria gerando as acusações. Segundo ele, há atualmente 18 pessoas afastadas do trabalho por Dort na região, e pelo menos 12 casos alegados da doença foram descaracterizados na perícia, única competente para reconhecer a doença.
O último caso de negativa de existência de Dort em Cascavel é o da telefonista Guacira de Melo, 43 anos, que alega ter a doença há 8 anos. Na semana passada, ela teve que retornar ao trabalho, na Telepar, depois que Yegor Moreira escreveu despacho no verso de atestado do médico particular de Guacira. O despacho do supervisor diz que compete só ao INSS a caracterização de incapacidade laborativa por doença ocupacional. Mesmo alegando fortes dores e falta de domínio sobre os membros superiores, Guacira teve que retornar ao trabalho para não ser demitida por justa causa.Edson MazzettoMédico Yegor Moreira: só nossos laudos servem como atestadoPaulo Pegoraro





