Para Iasp, abstinência provocou rebelião
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de agosto de 2004
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Uma crise de abstinência química foi a causa da rebelião provocada anteontem pelos adolescentes infratores internados na Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil), na Zona Sul. Pelo menos, esta foi a justificativa apresentada pelo diretor-presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), José Wilson de Souza, em entrevista ontem pela manhã.
''Os rebelados não fizeram reivindicações. Os adolescentes estão agitados porque estão sem acesso às drogas que consumiam nas delegacias'', justificou. A unidade começou a funcionar no dia 26 de julho e, de acordo com os funcionários, os internos vinham promovendo pequenos tumultos diariamente.
Segundo Souza, anteontem, por volta das 14 horas, quatro internos estouraram o cadeado do alojamento. Utilizando o extintor de incêndio, eles destruíram os cadeados das outras celas. Armados com estiletes e estoques feitos a partir de objetos que eles teriam arrancados das paredes e de equipamentos eletrônicos, a maioria dos 49 adolescentes conseguiu sair dos alojamentos e ganhar o telhado da instituição. A rebelião só foi debelada quatro horas depois, quando 40 homens do Pelotão de Choque da Polícia Militar entraram na instituição. Eles utilizaram bombas de efeito moral e balas de borracha.
Não houve fuga, mas dois internos que não quiseram se rebelar foram feridos pelos outros adolescentes e encaminhados ao Hospital Universitário com escoriações. O diretor do Iasp também confirmou que um menor fugiu da instituição na sábado à tarde, pulando a cerca que fica no fundo. Segundo Souza, o adolescente retornou no domingo.
Funcionários do Usoil, também conhecido como educandário, contabilizaram 12 dos 42 alojamentos parcialmente destruídos. Os internos quebraram os rebocos das paredes e tentaram arrancar as grades das celas. As luminárias e os televisores do refeitório também foram destruídos. Por medida de segurança, a diretoria decidiu suspender o banho de sol e as atividades educativas.
A transferência de infratores condenados pela Justiça será retomada somente na próxima semana. O diretor do Iasp admitiu que pode ter sido precipitado transferir tantos menores em pouco tempo. Nos últimos dias, seis adolescentes chegavam à unidade diariamente.
Souza insistiu que a Usoil é segura e não houve incompetência dos funcionários para evitar a rebelião. O diretor informou que uma equipe técnica formada por psicólogo e assistente social do Iasp, em Curitiba, virá a Londrina para orientar os internos e os funcionários. ''Vamos convencê-los a cumprir direito a pena aqui, para evitar que ela seja agravada'', explicou. A maioria dos adolescentes cometeu delitos relacionados a furtos e roubos.
A Usoil pode receber até 80 adolescentes e tem, como filosofia de atuação, a humanização do atendimento. Os internos têm acompanhamento médico, odontológico e psicológico. Eles também frequentam cursos profissionalizantes, oficinas de artes e artesanatos, além de participarem de atividades esportivas.


