O teto dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina terá um acréscimo de R$ 1,5 milhão mensais a partir do mês que vem, conforme a FOLHA antecipou na edição de ontem. O valor passa a ser de R$ 11,1 milhões por mês.
O anúncio foi feito nessa sexta-feira pelo secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, durante cerimônia de entrega da reforma e readequação da escola municipal Nara Manella, localizada no conjunto Semíramis (Zona Norte).
O dinheiro é suficiente para cobrir o deficit mensal de R$ 1,1 milhão. Com relação aos R$ 400 mil restantes, ele sugere que sejam utilizados para negociar a dívida acumulada de quase R$ 30 milhões com os hospitais de média e alta complexidade.
O secretário municipal de Saúde, Agajan der Bedrossian, afirmou que os recursos são benvindos, mas insuficientes diante da reivindicação inicial de R$ 4 milhões. ''Esse valor foi definido com base em aspectos técnicos.'' Ele não quis antecipar a destinação do dinheiro. Segundo o prefeito Barbosa Neto, a distribuição dos recursos seguirá critérios técnicos e a ''maior prioridade'' é a contratação de médicos.
Gilberto Martin defendeu que o estabelecimento do novo teto abre condições para rediscutir os contratos com os prestadores de serviço, que deveriam ter sido readitivados em novembro do ano passado. Essa também é a expectativa do superintendente do Hospital Universitário (HU), Francisco Eugênio de Souza. ''A discussão ainda não aconteceu porque aguardávamos uma definição sobre um novo teto'', afirmou.
O superintendente da Irmandade Santa Casa (Iscal), Fahd Haddad, também concorda que o aumento é insuficiente, mas vai amenizar os cortes de pagamento dos atendimentos efetuados. ''Será possível diminuir a dívida que o município tem com os hospitais filantrópicos'', disse. Segundo ele, o repasse feito hoje aos atendimentos de alta e média complexidade é de R$ 1,6 milhão, quando deveria ser R$ 2,3 milhões. A dívida total é de quase R$ 15 milhões.
Partindo da mesma avaliação, Artemízia Martins, gestora administrativo-financeiro da Hospital Evangélico, relata que o recurso não é o bastante diante da atual demanda. ''Obviamente, o aumento do teto é um passo, mas além das necessidades existentes e demanda reprimida, podem surgir novos serviços.''
Ela observa também sobre o contrato relativo aos incentivos dos plantonistas. ''Este vence no final de março'', comenta ela, dizendo que ainda há possibilidade de nova paralisação. ''Vamos aguardar a condução deste assunto.''
O presidente do Conselho Regional de Medicina, Álvaro Luiz de Oliveira, por sua vez, ratifica a opinião dos demais dizendo que o recurso não é suficiente. ''O que era pleiteado, era o que é justo para mantermos os serviços. Esse aumento é ótimo, mas será apenas uma adição no orçamento, um aporte financeiro ao que é necessário.''

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