Para governo, trabalho está sendo feito
Investimentos na área social são as soluções óbvias para reduzir a criminalidade, mas fica aquela eterna impressão de que dificilmente são desenvolvidas a contento pelos governos. ''Políticas sociais não são auto-sustentáveis, não dão lucro, têm que ser desenvolvidas pelo Estado. O que acontece é que nas últimas décadas houve uma redução nas despesas com a área social, com o objetivo de equilibrar finanças. Nas políticas de segurança, não adianta aumentar a opressão, reforçar efetivo policial, criar campanha de desarmamento. A solução é o investimento pesado na parte social e visando objetivos a longo prazo'', acredita Tadeu Migoto, do Patronato Penitenciário de Londrina.
Quando o jovem está preso, é necessário oferecer oportunidades de ressocialização. O governo do Paraná argumenta que o índice de ocupação nos presídios paranaenses passa dos 70% - de detidos que estudam e/ou trabalham. ''As quatro políticas básicas da Secretaria de Estado da Justiça (Seju) para a ressocialização dos presos são a educação, o trabalho, a manutenção de vínculos familiares e a religião'', diz Justino Sampaio Filho, do Depen.
''No caso do trabalho, estamos buscando junto às empresas parceiras a profissionalização do interno, e não apenas a remissão de pena e a ocupação. Num exemplo: os presos que trabalham na produção de calçados têm praticamente emprego garantido ao deixar o sistema penal, pois há grande demanda por esse tipo de mão-de-obra'', complementa. O diretor sustenta que tais políticas de ressocialização são bem desenvolvidas no Estado, e um reflexo disso seria o índice de reincidência no regime fechado: 29% no Paraná, contra uma média nacional de 73%.
''O que buscamos fazer é ampliar os espaços de estudo e de trabalho dentro das unidades prisionais. Na Casa de Custódia de Curitiba, por exemplo, os internos iniciaram aulas mês passado. Nunca havia sido ofertada a oportunidade de estudar naquele presídio'', diz Sampaio. Na PEL, segundo números da direção da unidade, 64,8% do total de detentos estão ocupados, trabalhando e/ou estudando. Na CCL, do total de mais de 400 presos, apenas 29 trabalham. Não é oferecido estudo.
''O Estado teria que investir e criar mais canteiros de trabalho. Temos problemas porque a unidade já funciona muito além de sua capacidade inicial, que é de 288 presos. Os internos deveriam ficar aqui por um período de apenas 81 dias, mas sabemos que na prática isso é complicado'', explica o vice-diretor da CCL, Adílson Barbosa de Souza.
Tadeu Migoto acredita que a ressocialização é fundamental e ainda precisa ser aprimorada. ''Normalmente, os trabalhos nos presídios são mecânicos: montar grampo, costurar bola de futebol. O mercado exige maior conhecimento, especialização. O ex-detento dificilmente vai sobreviver com o trabalho que aprendeu na prisão. Ele já sofre discriminação por ter passado pelo sistema penal'', opina ele. ''Estudo é importante, mas o que é oferecido (nas unidades prisionais) precisa ser melhorado. Hoje emprego está difícil até para quem tem curso superior, imagina para quem fez apenas até o 2º grau''. (F.G.)





