Uma equipe de geólogos do Laboratório de Análises de Bacias Petrofísicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) constatou ontem que o óleo encontrado em Joaquim Távora pode ser de baixa qualidade. Segundo o geólogo Marcos Guarda, da Sanepar, o alto nível de viscosidade do líquido e a baixa profundidade do poço reforçam a tese que o óleo pode não ter valor comercial. ''Isso foi dito por especialistas e geólogos da UFPR que tiveram acesso ao material. O óleo é muito viscoso e o poço estava muito perto da superfície'', relatou Guarda, que acompanhou os trabalhos do laboratório da UFPR.
Misturado com a água, o óleo jorrou a partir dos 300 metros, uma profundidade considerada muito rasa para se achar reservas petrolíferas. ''A Petrobrás já encontrou petróleo em Jacarezinho perfurando 3 mil metros, em Joaquim Távora cerca de 1,5 mil metros. Temos que aguardar o resultado dos testes, mas ao que tudo indica o material é de qualidade ruim'', ponderou. A equipe da UFPR realizou ontem um ensaio geofísico com a finalidade de identificar a estrutura geológica da região. O resultado, de acordo com o funcionário da Sanepar, deve ficar pronto em 30 dias. Hoje, em dois períodos, os geólogos continuam o trabalho de pesquisa.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) enviou amostras do óleo e dos sedimentos recuperados no poço para um laboratório conveniado, no Rio de Janeiro. De acordo com a assessoria de imprensa da ANP, o laudo deve ficar pronto nos próximos 20 dias. A intenção é descobrir se as propriedades do material viabilizam o uso comercial. Com o resultado, a ANP vai analisar a necessidade de realizar novos estudos geológicos ou enviar uma equipe técnica até o local.
Apesar do laudo do Lactec, da UFPR, ter atestado a autenticidade do óleo, a ANP prefere aguardar o resultado do teste para dar seu parecer.

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