Para família, independência compensa salário
''Nosso objetivo final era que Ana Paula criasse uma independência e a gente conseguiu. Foi uma vitória.'' Quem comemora é Odete Aparecida Bertão Tarozo, mãe de Ana Paula Terozo, de 26 anos, portadora da Síndrome de Down. Há mais de dois meses a jovem trabalha como auxiliar de Recursos Humanos em uma empresa de transporte coletivo em Londrina.
Diferente de muitas mães que superprotegem os filhos portadores da síndrome, Odete sempre incentivou Ana Paula a criar uma vida independente. E o resultado veio agora. ''Depois que a Ana começou a trabalhar ela evoluiu muito e se sente importante por ter seu próprio dinheiro. Ela criou autonomia como qualquer outra pessoa da idade dela'', orgulha-se Odete.
Segundo a mãe, o vocabulário e a auto-estima da filha também melhoraram, pois ela ampliou seu convívio social. ''Trabalhando em uma empresa grande, com várias pessoas, ela se preocupa em estar sempre bem arrumada, cuidando dela mesma.''
Ana Paula trabalha de segunda a sexta-feira no período da manhã e recebe o equivalente a meio salário mínimo, mas o crescimento pessoal dela vale muito mais para a família. ''Eu não vejo pelo lado financeiro. A gente nunca sabe o que vai acontecer e hoje, se acontecer alguma coisa, eu sei que a Ana vai saber se virar sozinha'', completa Odete.
Ana Paula não esconde a alegria de ter comprado um relógio e um tênis com seu primeiro salário. Ela conta que ter ingressado no mercado de trabalho trouxe muitos benefícios e melhorias para sua vida. ''Foi muito bom ter começado a trabalhar. As pessoas com que trabalho são muito legais e trabalham bem. É muito bom ser independente''. Na empresa, ela é responsável pela separação e entrega de malotes de um setor para outro, além de organizar cerca de oito mil holerites de todos os funcionários. (T.F.P.)





