Para especialistas, privatização não resolve Apagão Aéreo
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sábado, 07 de julho de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A privatização dos aeroportos, proposta pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, não vai solucionar os problemas do sistema de transporte aéreo brasileiro. A afirmação é dos especialistas em aviação civil argentinos Ricardo Frecia e Gabriel Mocho Rodriguez, representantes de associações internacionais do setor que estão em Curitiba participando da Chamada Geral pela Integração Latino-Americano. Eles citam o próprio caso da Argentina, que há dez anos privatizou seus principais aeroportos e hoje vive uma crise na aviação parecida com a do Brasil.
Para Frecia, presidente da secretaria de aviação civil para a América Latina e o Caribe da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF, na sigla em inglês), a crise aérea vivida no Brasil e em países vizinhos é consequência de anos sem investimentos sérios no setor. ''Este não é um tema particular do Brasil, vem acontecendo em todos os países do Mercosul e da América Latina'', diz.
Segundo Frecia, a falta de investimentos, somada a uma maior demanda graças ao crescimento das economias destes países, fez eclodir crises nos sistemas de transporte em geral. ''Hoje, as economias regionais começam a ter uma nova onda de crescimento e, com o aumento da demanda, descobrimos que não somente o transporte aéreo, como todos os meios de transportes públicos estão praticamente em colapso'', afirma.
Tanto para Frecia como para Rodriguez, a simples privatização de aeroportos, como foi proposta por integrantes da CPI do Apagão Aéreo, não vai resolver o problema. ''Cremos que não precisa mais do que o Brasil olhar para os vizinhos da Argentina para ver que, com dez anos de privatização, a crise é tão profunda como aqui'', justifica Frecia. ''Não há outro remédio do que o governo tomar a decisão política de realizar os investimentos que não se realizaram nos últimos anos'', declara.
Para os especialistas, os investimentos devem vir acompanhados também de um planejamento integrado do sistema de transporte aéreo entre todos os países do continente. ''A integração regional é fundamental como parte para a solução dos problemas. É ela que vai nos permitir fazer um planejamento de futuro que se centre nas nossas necessidades e não da de outros países, como os Estados Unidos'', afirma Rodriguez, coordenador de Educação da ITF.


