Marcos BorgesAdriana: trabalho educativoAs estatísticas comprovam que a grande maioria dos presos dos três distritos policiais e da Penitenciária de Londrina é formada por pessoas vindas das classes mais humildes, com menor grau de escolaridade, e dos bairros mais pobres. Baseado nesta realidade, um grupo formado por psicólogos, assistentes sociais e estudantes implantou um projeto de apoio às famílias de crianças e adolescentes que vivem o risco de envolvimento com o crime no jardim União da Vitória (zona sul).
O projeto tem representantes do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), da Universidade de Londrina (UEL) e da Secretaria Municipal de Ação Social. Uma das coordenadoras é a psicóloga argentina Adriana Barcellos, que mora em Londrina há 20 anos e é professora do Cesulon. Especialista em Psicologia Social do Desenvolvimento, ela conta que o projeto combate causas da criminalidade: famílias desestruturadas, falta de educação escolar, consumo de drogas e baixa auto-estima das pessoas.
As crianças e adolescentes assistidos têm a garantia de escola, recreação e assistência médica. Cerca de 100 famílias recebem cesta básica mensal de alimentos e participam de reuniões semanais com psicólogas e assistentes sociais. Há também visitas domiciliares. São discutidos temas como educação sexual, problemas conjugais, desemprego e consumo de drogas.
‘‘O único caminho possível contra o aumento da criminalidade é o educativo e preventivo. Ninguém nasce criminoso; a sociedade transforma a pessoa em praticante de atos criminosos’’, avalia Adriana Barcellos. ‘‘A violência é fruto direto do desemprego, da miséria. As crianças nascem, aos milhões, sem condições de uma vida digna. Elas não crescem bem porque não têm comida, casa, escola, regras e padrões de civilidade. São jogadas no mundo para lutar, com qualquer arma, pela sobrevivência.’’
Na opinião da psicóloga - que já teve unm filho assaltado por adolescentes na Cidade -, não dá mais para ficar apenas reclamando das consequências do aumento da criminalidade. ‘‘A saída é um combate rigoroso às causas do crime, que estão localizadas, na sua maioria, na pobreza da população. Para isso o governo brasileiro precisa investir mais em geração de empregos, saúde, habitação, transporte e educação.’’
Segundo Adriana Barcellos, o crime funciona hoje também como uma espécie de vingança dos marginalizados. ‘‘Só repressão e o policiamento não resolvem. Temos que combater as causas e não apenas as consequências.’’
(Osmani Costa)

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