Cuidar da alimentação, praticar exercícios físicos e ter atividades sociais são cuidados que o indivíduo pode fazer por si mesmo para envelhecer com saúde. Mas o que a coletividade pode fazer para que as pessoas envelheçam melhor? - questiona o geriatra Marcos Cabrera, de Londrina.
Uma das maneiras de reverter o preconceito contra o idoso - ''as pessoas não gostam de velho porque não querem se tornar um'' -, opina Cabrera, é trazer a discussão para as escolas. ''É interessante a criança já começar a pensar em como vai ser quando for vovô''.
Essa é uma questão que se impõe cada vez com mais força para toda a sociedade, que está envelhecendo. Cabrera explica que, hoje, no Brasil, os idosos representam cerca de 9% da população, enquanto há 100 anos atrás, era 0,5%. A projeção é que daqui a 20 anos, os idosos sejam de 15% a 18% da população. ''A cada cinco pessoas, uma será idosa e vamos continuar com essa política assistêncialista de reservar bancos para idosos nos ônibus?'', cobra.
O especialista acredita que é preciso pensar em formação profissional e mercado de trabalho para o idoso, além de uma política de saúde para prevenir doenças crônicas. Outra cobrança é quanto a existência de barreiras arquitetônicas para o idoso. ''Os semáforos são rápidos demais, há muitas escadas nas igrejas, para citar exemplos. A cidade precisa oportunizar vida digna ao idoso''.
No trato dos adultos com os idosos ele faz um alerta: respeitar o idoso é respeitar sua autonomia, sua vontade e sua opinião, mesmo que ele não tenha independência, por exemplo, para andar. ''Autonomia e independência são coisas diferentes, é preciso parar com essa história de tratar o idoso como criança, de infantilizar alguém que tem uma bagagem maior do que a nossa''. (C.P.)

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