Enquanto os adolescentes da Zona Azul não tiverem uma outra garantia na sociedade, a Epesmel mantém a posição inicial de continuar com os garotos na atividade. ''Acreditamos que o trabalho desenvolvido com esses jovens é seguro e educativo'', afirmou padre Lídio.
A procuradora estadual do Trabalho, Margaret de Carvalho, reconhece o trabalho social desenvolvido pela Epesmel, mas contesta que a atividade exercida pelos menores fiscais seja educativa. ''Além de trabalharem em condições insalubres, os adolescentes vivem no limite e pressionados com a questão de terem a chance de receber uma comissão se venderem mais talões''.
Um garoto de 17 anos que trabalha como fiscal da Zona Azul conta que recebe R$ 120 mensais. Se vender mais do que a cota, ele pode ganhar ainda uma comissão que varia de 5% a 15% sobre o valor da venda dos talões. Segundo o garoto, é preciso ficar atento pois tem motorista que tenta sair de fininho sem querer pagar pelo tempo a mais que ficou estacionado. E outros vão embora sem pagar. ''Quando isso acontece, esse dinheiro que faltou é descontado do nosso salário'', disse.

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