'Para entrar tinha que ser 70% branco'
Curitiba - Para participar do ''Projeto'', ter a cor da pele clara é importante, mas não fundamental. O essencial é odiar judeus e homossexuais, seguir as regras, passar por uma prova e um ritual com juramento. Os simpatizantes, em sua maioria, são homens de 18 a 30 anos. Mulheres são proibidas de ingressar no grupo. ''Para entrar tinha que ser 60% ou 70% branco. Podia ter ascendência negra ou índia. Só não podia ser coisa mais recente'', diz um envolvido com o grupo.
Mesmo tendo bases racistas e segregadoras, segundo os relatos dos integrantes, o nazismo à brasileira segue uma linha mais aberta, para arregimentar mais pessoas. Por esse motivo, não tem total simpatia dos europeus, embora receba apoio do Velho Mundo. ''Tem um integrante que a mãe dele é negra. Não sei quais eram as regras para ele. Sei que ele não podia ter filhos'', ressalta.
O mineiro Dayrell tinha mais seguidores do que o rival paulista por um motivo simples. Quem não passava na prova de conhecimentos gerais para ingressar no ''Projeto'' de Barollo era cooptado por Dayrrel. Dessa forma, as duas vertentes se alastraram pelo Brasil e têm conexões na Argentina, Chile, Inglaterra e em outros países da Europa. ''Do grupo do Barollo mesmo fazem parte de 25 a 30 pessoas, mas também tem aqueles que eles chamam de 'suporte'. São pessoas que não passaram na prova ou não a fizeram, mas ajudam no projeto'', conta o rapaz.
Como em qualquer vestibular, o candidato deve atingir uma média alta. Em um desses testes, cerca de 150 tentaram ingressar no movimento, mas apenas 15 foram aprovados. Passada a prova, era a vez de fazer o juramento. Em um local isolado, ainda não identificado, os nazistas emergentes se reuniam. Cada um deles segurava uma tocha apagada. Em seguida, o líder acendia os fachos e fazia seus novos seguidores jurarem lealdade à causa. Houve apenas dois batismos registrados pelos integrantes. (D.R.).





