O primeiro depoimento formal do pai-de-santo Osni Noronha foi tomado pela Polícia Civil no dia 24 de dezembro de 1998. Noronha confessou ter se apaixonado por Carla Pilatti quando ela tinha apenas 16 anos e que os dois tiveram um relacionamento estável. Ele era casado e não teria deixado sua mulher porque ela sofria problemas de saúde e os dois tinham três filhos, um deles era excepcional.
De acordo com este depoimento, no dia do crime, Carla e seu irmão Fernando teriam ido até a chácara que ele morava, em Mandirituba, Região Metropolitana de Curitiba. Carla teria pedido para que ele acompanhasse os dois até a casa deles para conversar sobre a reforma na residência. Chegando lá, Elone teria começado a fazer-lhe cobranças. Ele a teria empurrado e percebeu quando Fernando sacou um revólver. Ele teria atirado nele e na direção de Elone. Outras duas pessoas estariam presentes na casa e teriam partido para cima dele, quando Noronha teria resolvido disparar seu revólver a esmo. Ele afirmou que soube que seus filhos haviam sido atingidos através da imprensa.
No dia 20 de janeiro de 1999, num termo de interrogatório feito na 3 Vara Criminal, Noronha contou que ao chegar na casa de Carla no dia do crime percebeu que Elone estava disposta a discutir com ele e pegou sua arma com o intuito de sair de lá. Fernando teria então empunhado a arma contra ele. Contrariando o que havia dito no primeiro depoimento (que não tinha visto os filhos no local do crime), Noronha teria ido até a sala onde estavam seus filhos para dar boa-noite. Ele disse também que foi atacado por outras três pessoas. Uma delas teria pego a arma dele, que teria disparado contra Fernando. Ele disse que não sabia quem tinha matado seus filhos e negou que tenha dado tiros a esmo.
No dia 21 de novembro de 2000, Noronha prestou um termo de interrogatório no 2º Tribunal de Júri. Ele contou que entrou na casa e perguntou para Elone onde estavam as crianças. Pegou sua arma e foi até a sala, onde os meninos estavam dormindo e teria percebido que Lucas tinha sangue na cabeça. Quando ele teria ido cobrar o que teria ocorrido com seus filhos, Fernando teria partido para cima dele com uma arma. Os dois teriam entrado em luta corporal. O revólver dele teria disparado, possivelmente acertando Fernando.

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