Correta no mérito, mas com problemas nas exigências. Esta é a avaliação do engenheiro e professor Aron Lopes Petrucci sobre a Lei 10.530. Para ele, uma das principais imperfeições é a exigência de instalação do sistema em casas que tenham dois banheiros ou mais. O questionamento é em relação às casas pequenas, de até 80 metros quadrados, que por vezes podem ganhar mais um banheiro numa reforma.
Outro ponto destacado por Petrucci é a falta de uma contrapartida do poder público, como , por exemplo, desconto no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ''A lei como está determina uma obrigação sem nenhuma vantagem para o morador. Aí corre-se o risco de tornar-se uma lei que não pega. Para motivar, o poder público tem que mostrar que também está fazendo'', ressalta.
Ainda assim, ele diz torcer ''para que a lei pegue.'' Isto porque, tecnicamente, o uso de aquecedor solar é um bom negócio, principalmente devido ao nível de conforto proporcionado. Em dias muito frios, por exemplo, o aquecimento elétrico não é suficiente para elevar a água à temperatura ideal para um banho de qualidade.
O custo do aquecimento solar depende de diversas variáveis. Alguns exemplos são o número de usuários do chuveiro quente e o tempo de exposição ao sol do imóvel. A estimativa é que são necessárias ao menos 12 horas de iluminação direta por dia para que o sistema seja considerado viável. E também é preciso considerar o custo da troca de tubulação para suportar as altas temperaturas da água.
Petrucci adverte, no entanto, que os preços dos sistemas de aquecimento elétrico, a gás e solar não podem ser simplesmente comparados. ''É importante ficar claro que a análise tem que levar em conta que são produtores completamente diferentes, com diferentes níveis de conforto'', conclui.
De acordo com o empresário João Batista Magalhães, a crise energética mundial é um argumento forte para justificar a busca por fontes alternativas. E o sol, defende, é uma das principais opções. ''A energia solar não tem hidrômetro. É a única de graça e abundante. É limpa, a custo zero e sem risco de incêndios'', diz o proprietário de uma empresa na Zona Oeste, que atua no ramo ao lado do filho Anderson Zuba Magalhães.
Ele comenta que, apesar do custo de instalação sair ''bem mais em conta'', o chuveiro elétrico é o principal vilão da conta de luz. (F.R.F.)

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