Para encher os olhos e atiçar o paladar
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domingo, 10 de abril de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Além das grandes feiras livres que ocupam todos os domingos de manhã as imediações da Rua Alagoas (Centro) e Avenida Saul Elkind (Zona Norte), Londrina tem opções mais tímidas - mas não menos atraentes - de feiras semanais montadas em outros espaços da área central. A Feito à Mão (no Calçadão) e a Feira do Produtor (na Rua Benjamin Constant, em frente ao Museu Histórico), estão em cartões postais da cidade e surpreendem pela qualidade dos produtos.
A primeira é uma típica feira de artesanato. Um prato cheio para quem procura um presente original - dificilmente encontrado em lojas - ou peças úteis e encantadoras para a casa. De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), 114 expositores estão cadastrados para participar da Feito à Mão. Nem sempre todos estão presentes, mas entre as dezenas deles, é possível encontrar quase tudo.
Logo de cara, o visitante se depara com a beleza da rosa-do-deserto (Adenium obesum), uma planta originária do sul da África e Península Arábica, que chama a atenção pela intensidade da cor. O vendedor é um chinês, Chang Mu Lin, que vende os vasos a preços que vão de R$ 10,00 a R$ 50,00. A perfeição das flores de Lin se estende para uma infinidade de outros produtos que saem das mãos dos caprichosos artesãos. Bordados, peças em tricô, crochê e patchwork, bonecas de pano, tapetes, bolsas, roupas, bijuterias, quadros, brinquedos educativos, artigos em couro, pães, doces. A variedade de opções enche os olhos e deixa qualquer um tentado a levar boa parte delas para casa.
''Pena que o londrinense tem pouco conhecimento desta feira. A gente percebe que são quase sempre as mesmas pessoas que vêm, trazendo às vezes amigos ou parentes que estão visitando a cidade'', ressente-se Leonice Favoreto Cauduro, a Nice, artesã que participa da mostra há um ano e meio expondo roupas, echarpes e bolsas pintadas à mão. O bom gosto de suas peças chamou a atenção da manicure Rosana Giufrida da Silva e de seu marido, o metalúrgico Valmir Gomes da Silva. Rosana acabou levando uma camiseta de estampa exclusiva. ''Amo passear nesta feira. Sempre que dá a gente vem, e quase nunca saímos de mãos vazias.''
A alguns quarteirões dali, na tradicional Feira do Produtor, que resiste há mais de 30 anos, outros pequenos tesouros: frutas e verduras fresquinhas, colhidas e comercializadas por quem também trabalhou a terra; defumados; sushis; vinhos e licores feitos no distrito da Warta (Zona Norte); pães e bolos sem conservantes e até uma barraca que vende, nos primeiros domingos do mês, um energético natural: o suco de clorofila.
Entre os expositores mais antigos está o policial militar reformado José Bispo dos Santos. Todos os domingos, ele traz parte do seu jardim para a feira. Olfatos mais apurados sentem de longe o perfume dos vasinhos de sálvia, alfazema, arruda, alecrim, manjericão, citronela, capim-limão, hortelã e dezenas de outras ervas, flores e mudas frutíferas. Santos, um baiano que aprendeu com a mãe a conhecer boa parte do universo botânico, cumpre, há pelo menos três décadas, a rotina semanal de carregar família e plantas para as imediações do museu. ''Tenho de tudo no meu quintal'', orgulha-se o segundo sargento, que também é músico e, de uns tempos para cá, deu para escrever poesia.
Próximo da barraca aromática de Santos, Dalva Guedes de Almeida atiça o paladar com seus pães integrais. Há cerca de 15 anos, ela criou, para consumo próprio, o pão feito a partir de uma multimistura, sem glúten, ovos ou leite. O sucesso foi tanto que ela começou a comercializá-lo, junto com outras variedades que levam produtos naturais na receita. ''Não uso açucar, só rapadura'', revela Dalva, contando que não deixa de participar da feira em consideração aos clientes cativos, que não podem comer outro tipo de pão.


