O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) pretende lançar uma grande discussão sobre a paisagem urbana de Curitiba, que com suas estações-tubo, Faróis do Saber e Linhas do Ofício pode não estar contemplando as aspirações e necessidades da comunidade. Segundo um dos diretores do IAB, Fernando Patrial, o evento ‘‘Repensando Curitiba para o Século XXI’’ estará acontecendo entre 27 e 29 deste mês, para que profissionais de arquitetura e integrantes da comunidade possam apresentar as suas impressões sobre o mobiliário urbano curitibano e o uso de solo urbano que vem sendo adotado pelo município.
Uma das preocupações dos responsáveis pelo evento é a ocorrência de exageros nas padronizações das construções públicas pela adoção de modelos criados para a marcar a administração dos prefeitos e governadores, em vez de atender as necessidades isoladas de cada comunidade. ‘‘As idéias da instalação das Ruas da Cidadania e dos Faróis do Saber são boas, descentralizam do Centro os serviços à disposição do cidadão, mas poderiam ser melhores se fossem discutidas e atendessem aos interesses particulares de cada comunidade’’, apontou Patrial.
Na visão do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que criou durante a sua gestão as bibliotecas de bairro Faróis de Saber, não existe mal nenhum quando o político deixa a sua marca na cidade. Greca, que acabou de ser eleito deputado federal utilizando o Farol como símbolo de sua campanha, disse que o apoio que recebeu da população, como o mais votado do Estado, mostra que ele não está errado e que a população aprovou sua idéia. ‘‘O político que não deixa sua marca é frito nas urnas’’, disse.
Para o ex-prefeito, as estatísticas de comparecimento nos Faróis do Saber, estimadas em cerca de 400 mil pessoas por mês em cada um dos 52 estabelecimentos da cidade, mostram que o público não enfrenta dificuldades de assimilar a idéia e muito menos utilizar a estrutura colocada nos bairros da cidade. Para ele, um ponto que impede a discussão com a comunidade é a falta de tempo que um administrador público tem para viabilizar as obras. ‘‘Normalmente temos um ano para planejar o que vai ser feito, dois para executar e depois já vem a campanha’’, argumentou. Entretanto, Greca acha que a discussão é válida e que os pedidos dos moradores devem ser respeitados quando possível. ‘‘Um imóvel diferente do outro também encareceria as construções’’, avisou.
No Centro de Curitiba, as opiniões se dividem. Para a dona de casa Lurdes Gonçalves Monteiro, o que importa é oferecer melhorias à população. ‘‘Não ligo de olhar para determinada obra e lembrar de um político se o bairro recebeu a melhoria’’, disse. Para o funcionário público Júlio Conte, a discussão da arquitetura é uma coisa supérflua. ‘‘Não adianta perder tempo com a arquitetura dos prédios enquanto o povo passa fome’’, reclamou. Achilles Júnior e a mulher Gisele Baron discordam e dizem que o mais importante em um prédio público é que ele atenda as necessidades de cada bairro. ‘‘A comunidade de determinado bairro pode estar precisando de um local de lazer, mas com um posto de saúde. Daí vem um projeto padronizado que contempla apenas uma das duas necessidades, enquanto que se utilizasse a criatividade e os dois fossem reunidos em uma só obra, a cidade economizaria dinheiro e ganharia tempo’’, disse.

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