Os muros da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ecoaram ontem sons diferentes: música francesa, diálogos bastante particulares do Gato de Botas, crônicas, poesias e até uma piadinha para descontrair. Por trás do show, homens que tentam tirar do presídio alguma coisa a mais que a amargura de esperar os dias passarem até a tão esperada liberdade.
A confraternização foi uma espécie de mostra de diversas parcerias montadas entre a comunidade e poder público que inclui aulas de francês, teatro experimental e produção de textos. O curso de francês, por exemplo, veio de uma parceria com a Aliança Francesa.
A idéia começou com um trabalho de teatro experimental tocado por uma atriz francesa. ''A diferença no comportamento cultural deles foi impressionante, tanto que depois do teatro eles pediram para continuar com as aulas'', afirma a diretora Elizabeth dei Ricardi. A parceria deu tão certo que hoje há uma fila de espera de mais de 45 pessoas. Foram também os detentos que pediram a inclusão das aulas para os agentes penitenciários.
Em cena, os detentos não fizeram feio. Cantaram sem medo de fazer biquinho. Um dos alunos cantores que também tem papel nas peças encenadas na PEL, Henrique Rodrigues dos Santos, 28 anos, se diz impressionado com o que se pode aprender. ''Isso é uma coisa que eu estou plantando, sei que vai demorar mas um dia eu vou colher os frutos'', afirma o rapaz que cumpre 35 anos de prisão por roubo. Para ele, aprender faz o tempo passar mais rápido.
O detento Devanil Nunes, 37 anos, prefere as letras. Ele é parte da oficina de texto coordenado pelo curso de letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Diz que sempre gostou de escrever mas que agora não precisa mais aprender sozinho. Na lista de seus escritos, crônicas que questionam o sistema prisional e poesias que falam de amores perdidos. ''A gente que se encontra preso pelo menos tem o espírito sempre livre'', diz.
Para a direção da PEL, as parcerias trazem ganho direto no comportamento do detento. ''Eles são bastante participativos só que não damos conta de fazer tudo, além disso, essa integração promovida pelas atividades dá um retorno bom'', afirma a coordenadora da escola da PEL, Regina Célia Baptista.

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