O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) disse que a rebelião em Londrina ‘‘era previsível’’. Segundo ele, existiam muitas queixas contra agentes penitenciários que, em vez de cumprir ordens, eram os responsáveis pela chefia da penitenciária. ‘‘A direção do presídio era frágil, segundo a cooregedoria da Justiça’’, disse Padre Roque. Ele fez parte de uma comissão de deputados federais que vistoriou o complexo penal este ano.
O deputado relatou que a penitenciária de Londrina ‘‘servia de modelo para o Brasil’’. Ele defendeu a conclusão da unidade, construção de mais oficinas e contratação de professores e psicólogos para trabalhar com os presos. Padre Roque disse que depois que o diretor Dayson Ferreira Pinho assumiu o comando do presídio, por meio de indicação política, ‘‘os problemas começaram a aparecer’’. ‘‘Não podemos mais aceitar a interferência política nos presídios. Eles precisam ser comandados por técnicos que conheçam a realidade do sistema’’, afirmou Padre Roque. O parlamentar teme novos motins caso a Polícia Militar assuma o controle total da penitenciária. ‘‘A PM não é preparada para esse tipo de coisa.’’
Uma das primeiras medidas sugeridas pelo deputado para atenuar o clima de tensão, é a formação de um conselho de administração, integrado pela direção e funcionários da penitenciária. ‘‘Os problemas do presídio começariam a ser discutidos e solucionados para que fatos assim não se repetissem.’’
O secretário de Segurança Pública, José Tavares, não quis comentar o desfecho da rebelião na PEL. Por meio da assessoria de imprensa, o secretário disse apenas que ‘‘é importante que tudo seja muito bem apurado, porque a transparência é a nossa filosofia de trabalho’’. Desde o final de março deste ano, quando Tavares assumiu a pasta da Segurança, o sistema penitenciário do Paraná já passou por quatro grandes rebeliões, duas delas na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou ainda que vão ser estudados todos os casos de transferência de presos. Sobre a intervenção da Polícia Militar, a assessoria comunicou que foi preciso usar a força porque os presos passaram a agredir os agentes penitenciários e professores das oficinas mantidos como reféns.

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