Para deputado, motim era previsível
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) disse que a rebelião em Londrina era previsível. Segundo ele, existiam muitas queixas contra agentes penitenciários que, em vez de cumprir ordens, eram os responsáveis pela chefia da penitenciária. A direção do presídio era frágil, segundo a cooregedoria da Justiça, disse Padre Roque. Ele fez parte de uma comissão de deputados federais que vistoriou o complexo penal este ano.
O deputado relatou que a penitenciária de Londrina servia de modelo para o Brasil. Ele defendeu a conclusão da unidade, construção de mais oficinas e contratação de professores e psicólogos para trabalhar com os presos. Padre Roque disse que depois que o diretor Dayson Ferreira Pinho assumiu o comando do presídio, por meio de indicação política, os problemas começaram a aparecer. Não podemos mais aceitar a interferência política nos presídios. Eles precisam ser comandados por técnicos que conheçam a realidade do sistema, afirmou Padre Roque. O parlamentar teme novos motins caso a Polícia Militar assuma o controle total da penitenciária. A PM não é preparada para esse tipo de coisa.
Uma das primeiras medidas sugeridas pelo deputado para atenuar o clima de tensão, é a formação de um conselho de administração, integrado pela direção e funcionários da penitenciária. Os problemas do presídio começariam a ser discutidos e solucionados para que fatos assim não se repetissem.
O secretário de Segurança Pública, José Tavares, não quis comentar o desfecho da rebelião na PEL. Por meio da assessoria de imprensa, o secretário disse apenas que é importante que tudo seja muito bem apurado, porque a transparência é a nossa filosofia de trabalho. Desde o final de março deste ano, quando Tavares assumiu a pasta da Segurança, o sistema penitenciário do Paraná já passou por quatro grandes rebeliões, duas delas na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou ainda que vão ser estudados todos os casos de transferência de presos. Sobre a intervenção da Polícia Militar, a assessoria comunicou que foi preciso usar a força porque os presos passaram a agredir os agentes penitenciários e professores das oficinas mantidos como reféns.


