''As políticas públicas nacionais dirigidas à educação infantil são uma desgraça.'' A afirmação é da deputada federal Esther Grossi (PT/RS), que participou ontem em Londrina da 2 Conferência Municipal de Educação. Até domingo, serão discutidas durante as propostas de políticas e ações para o atendimento educacional das crianças de zero a 6 anos no município.

Esther Grossi, que visitou o prefeito Nedson Micheleti (PT), é especialista em educação e criticou a inexistência de trabalhos articulados no País dirigidos à motivação da aprendizagem. Para ela, a educação está relegada a segundo plano porque os investimentos no setor não trazem retorno econômico a curto prazo. ''O que move a política nacional hoje é o mercado, o Produto Interno Bruto (PIB)'' - declarou.

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), criado pelo governo federal, também foi criticado pela deputada petista, por ter suprimido as verbas públicas do ensino infantil. Para ela, pensar a educação das crianças a partir dos 7 anos ''é um grande equívoco''. ''A garantia de uma boa aprendizagem para os próximos níveis da educação depende do estímulo que a criança recebe antes dos sete anos'' - ressaltou.

De acordo com Esther Grossi, o aprendizado acontece a partir da resolução de problemas. ''Os desafios lançados pelo professor e o suporte cultural são a motivação da aprendizagem, pois sem um respaldo da cultura não se desenvolve o lógico'' - disse. Mas é preciso, para isso, a criação de ambientes favoráveis. Ela lamentou a falta de oportunidades na rede pública de ensino e lembrou que existem trabalhos isolados em alguns municípios do País.

A deputada lançou também o livro ''A Coragem de mudar em Educação'', de sua autoria, que mostra as experiências na área educacional desenvolvidas em Porto Alegre (RS), nos quatro anos em que foi secretária municipal de Educação.

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