O Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) declarou ontem ter convicção de que as denúncias feitas por um agente de disciplina contra a direção da Casa de Custódia de Londrina (CCL) são infundadas e sem procedência. O agente procurou o Centro de Direitos Humanos (CDH) local anteontem para denunciar uma suposta conivência do diretor da unidade prisional, major Edison Marcos Tomaz, com relação às rixas entre presos. Segundo o agente, que pediu para não ser identificado, um caso de agressão contra um interno ocorrido na última quarta-feira teria ocorrido porque ele não estava no ''seguro'' ala da carceragem separada dos demais presos.
O coordenador-geral do Depen, coronel Justino Sampaio, argumentou que a direção da CCL repassou todos os relatórios detalhando a agressão de Vanderlei Barbosa da Silva contra Lailor Ribeiro. Segundo Sampaio, Silva detalhou em seu depoimento que já havia ameaçado Ribeiro várias vezes e teria, inclusive, alertado a vítima para que pedisse proteção e fosse transferido da carceragem comum para o ''seguro''. Mesmo assim, o preso teria se recusado e acabou sendo agredido. O desentendimento ocorreu porque Ribeiro é acusado de ter assassinado um primo do agressor.
''O major é uma pessoa pública e jamais faria uma coisa dessas'', afirmou o coronel. Ele assegurou que tanto o major quanto a chefia de segurança da CCL desconheciam a rixa entre os dois presos e que Oliveira nem nenhum familiar seu pediu proteção especial ao chegar na unidade. O próprio major, em entrevista na edição de ontem, já havia pontuado que não tinha conhecimento do desentendimento, que as denúncias do agente eram mentirosas e que, assim que for identificado, o funcionário será acionado criminalmente.
Sampaio informou ainda que todas as providências exigidas para casos como este foram tomadas pela direção. O preso agredido recebeu atendimento médico, foi encaminhado para prestar queixa a um delegado e o agressor foi autuado em flagrante e deverá responder a mais esta acusação.
A coordenação do CDH em Londrina informou ontem que as denúncias do agente foram encaminhadas ao Ministério Público, que deve se posicionar na próxima semana. No início de julho, foram realizadas duas sindicâncias na Casa de Custódia uma a pedido da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania e outra pela própria direção da unidade visando apurar denúncias de maus tratos contra os presos. A investigação resultou no afastamento de três agentes de disciplina e na exoneração da chefia de segurança.

mockup