Apesar da estimativa de 120 mil armas clandestinas circulando livres pelas ruas, o delegado-adjunto de Londrina, Jurandir Gonçalves André, acha que a Polícia local está mais bem armada do que os criminosos da cidade. Segundo André, apenas em ‘‘raríssimas exceções’’ os bandidos são pegos com armas sofisticadas. Na opinião do delegado, somente em capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, os marginais se apresentam com armamento de guerra do tipo AR15.
Para André, calcular o número de armas na cidade é uma ‘‘utopia’’. Segundo ele, em 1997, o governo federal incentivou o recadastramento, mas não dá para saber quantos proprietários deixaram de comparecer. Mesmo sem considerar a estimativa do armamento, o delegado admite que o poder de fogo dos bandidos tem aumentado de uns anos para cá. Nos tiroteios ocorridos na cidade e em alguns assassinatos, dezenas de disparos são efetuados até mesmo com pistolas calibre 380, que carrega 20 cartuchos de uma vez, observou André. A grande maioria dos homicídios, informou ele, são cometidos com armas ilegais.
A quantidade de armas ilegais contrasta com o insignificante número de portes de armas expedidos pelo Fundo Especial de Reequipamento Policial (Funrespol): a média é de um por mês. As lojas especializadas em armamentos também podem expedir o porte, mas o número total de autorizações não é conhecido, afirmou um funcionário do órgão. Para comprar uma arma é preciso recolher cópias autenticadas dos documentos pessoais na própria loja, que expede o registro da arma. O registro, explicou o Funrespol, só dá direito a ter a arma dentro de casa ou escritório. Para tê-la no automóvel ou andar com ela pela rua é necessário o porte, que faz um rastreamento rigoroso dos antecedentes criminais da pessoa.

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