Para delegado, não existe extorsão em assentamentos
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Telma ElorzaReportagem Local 
Depois de ouvir 96 moradores dos assentamentos Monte Cristo e Santa Fé, na zona leste de Londrina, o delegado João Eduardo Carulla, da 10ª Subdivisão Policial (SDP), garante que não há extorsão contra aqueles que recebem o benefício do bolsa-escola. Segundo ele, todas pessoas ouvidas foram unânimes em negar a prática. Ele deve ouvir ainda cerca de 60 pessoas antes de concluir o inquérito.
A denúncia da extorsão foi feita no começo de maio pelo padre César Braga, da Paróquia Nossa Senhora do Amparo. O padre disse ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) que as famílias teriam que pagar metade do bolsa-escola para líderes supostamente ligados ao tráfico de drogas. A Folha havia apurado que o bolsa-escola estaria sendo usado como garantia para pagar os barracos uma forma indireta de cobrança. As famílias recebem do bolsa-escola municipal R$ 100,00 por mês (por família) ou, através do programa federal, R$ 15,00 por criança.
Segundo Carulla, estão sendo ouvidos os beneficiários dos programas municipal e federal, cuja lista foi requisitada na prefeitura. Todos afirmaram que a prática inexiste, disse. Segundo ele, a negativa não aconteceu por medo de represálias. Algumas pessoas foram firmes em garantir que, se houvesse essa cobrança, ficariam sem meios de subsistir Ele disse ainda que nem mesmo o padre, em seu depoimento, identificou autores ou vítimas da extorsão.
A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, também disse não ter informações que comprovem as denúncias. Apesar disso, vamos manter a prática da prestação de contas porque é procedimento sócio-educativo que já aplicamos com sucesso em outros assentamentos. Ela contou que nas reuniões mensais com as famílias serão cobradas notas fiscais e recibos dos gastos.
A Folha entrou em contato com o padre, mas ele disse, por meio de uma secretária, não ter nada a acrescentar.


