Para o advogado criminalista Mateus Vergara, a polícia poderia sim ter decretado a prisão preventiva ou prisão temporária do pedreiro responsável pelo estupro, até para facilitar a apuração de provas. ''Trata-se de um aspecto processual'', argumenta o advogado. Vergara afirma que o sistema de segurança pública brasileiro não está preparado para atender vítimas, e que a polícia tem dificuldade em tratar os casos onde não é claro o indício da prova. ''A população fica sujeita ao arbítrio da autoridade policial'', completa.
Mesmo sem conhecer os detalhes do caso - o que dificulta uma análise mais profunda do procedimento adotado na Delegacia da Mulher - Vergara esclarece que em casos onde é configurado o estupro mas não há violência real (lesões corporais), a vítima é maior de 14 anos, o estuprador não é um membro da família e a vítima tem as mínimas condições financeiras, cabe ação penal privada, e não ação penal pública, como a maioria das pessoas imagina. ''A população costuma depositar muita confiança apenas nos órgãos públicos, como polícia e Ministério Público. Há casos em que é necessário constituir advogado, até porque este profissional existe também para acusar, e não só para defender.''
O delegado chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Barrozo, afirma que a polícia agiu corretamente no caso. ''O delegado não pode cometer arbitrariedade, temos que agir conforme a lei. E não somos nós que a fazemos. Naquele momento (em que houve a confissão do crime) não havia elementos para mantê-lo preso.'' Barrozo lembra que três situações prevêem a prisão em flagrante: quando a pessoa é flagrada cometendo o crime; quando é flagrada logo após o crime, com instrumentos que denotam que é a autora do crime; e quando há perseguição policial. Segundo o delegado o inquérito foi aberto e nada impede que seja pedida a prisão preventiva do estuprador.
A secretária municipal da Mulher, Maria Aparecida Ramalho de Oliveira, informou que vai entrar em contato com a vítima para colocar à disposição os serviços de apoio psico-social oferecidos pelo município através dos projetos Rosa Viva e Centro de Apoio à Mulher (CAM).

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