‘‘Mesmo que um dia eu fosse adotado, ia querer voltar aqui para a festa de Natal’’, diz Fabiano Américo Ferreira, 15 anos. Com estatura de quem tem cinco anos a menos, o interno do Lar Análio Franco, conta que seu melhor presente de Natal foi um skate. Diz que sua mãe, que mora no jardim União da Vitória (zona sul) chegou a visitá-lo com frequência. ‘‘Hoje não vem mais. Sinto saudade dela.’’
Fabiano conta que tem quatro irmãs e que era o único homem da casa. Revela que esteve próximo de ter uma nova família. ‘‘O juiz não deixou’’, diz o garoto. Ele garante que, mesmo que não morasse no Lar Anália Franco, faria questão de voltar para a festa de Natal. ‘‘É muito legal, a gente ganha presentes, roupa boa e é um dia muito bom’’. Ele revela conhecer o verdadeiro significado do Natal. ‘‘É o nascimento de Jesus Cristo.’’
Juliano Rogério Ayub, 11 anos, foi levado ao Lar Anália Franco com três meses. No intervalo da partida de futebol, disputado com as meninas, diz que a festa é ‘‘legal’’. E que se não fizessem mais a comemoração ‘‘ia ser chato’’.
Rosane Sena dos Santos, 7 anos, e Kate dos Santos, 8, moram no jardim Califórnia, e já sabem exatamente o que vai acontecer na próxima festa de Natal. ‘‘Vai ter árvore de Natal, presentes, Papai Noel, bexigas, música, dança, vamos cantar e vai ser muito divertido’’, imaginam.
E o que as irmãs Rosane e Kate gostariam ganhar de presente em dezembro? As duas soltam a imaginação e fazem uma lista que parece não ter fim. ‘‘Bicicleta, roller, patins, Barbie, roupas da Barbie, Xuxa...’’
(Luka Morais)

mockup