Escritor e cronista bastante conceituado, Carlos Heitor Cony também é conhecido pela sagacidade de suas críticas e análises em relação à realidade brasileira. Devido ao contratempo com o vôo da TAM, o escritor ficou impossibilitado de redigir a sua crônica para um grande jornal de São Paulo, mas pôde conceder uma curta entrevista exclusiva à FOLHA.
Para Cony, o episódio foi apenas mais um atraso entre tantos que vêm ocorrendo há meses, mas o cerne do problema é que preocupa. ''Isso demonstra a ausência do governo como um todo. O governo funciona para arrecadar impostos, e de certa forma dá a impressão de que o país tem um Estado que o administra. Mas o volume de dinheiro arrecadado não se expressa em assistência para o povo. Tanto que o problema do avião vem se arrastando há mais de um ano e ainda não foi encontrada nenhuma solução. Se fosse em qualquer outro país, o mundo vinha abaixo'', avaliou.
O escritor assinalou ainda que essa ausência de governo atinge o país como um todo, e não apenas determinadas classes sociais. ''As pessoas comentam que só viaja de avião quem é da classe média para cima, mas as classes mais baixas também têm os mesmos problemas nos hospitais e nas escolas. E são até mais graves, por se tratar de setores vitais, como saúde, educação e segurança. Essa questão do caos aéreo tem tido mais repercussão por molestar de forma grave a classe média que viaja de avião. Mas há uma falência do Estado de maneira geral, e eu já venho dizendo isso há bastante tempo.'' (A.I.)

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