Para conscientizar sobre a perda da visão
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

Aos 56 anos, o ex-contador Pedro de Souza mudou completamente a rotina pessoal e de trabalho. Foi quando ele precisou aprender a viver sem enxergar. "Foi como morrer. E ressuscitar era uma escolha somente minha. Foi então que decidi ir em busca de aprender o braille, informática, ou seja, eu me refiz", diz.
Agora com 60 anos, ele é membro voluntário da diretoria do Adevilon (Associação dos Deficientes Visuais de Londrina) e faz questão de apoiar todas as causas em prol dessa população. É por isso que na manhã de quarta-feira (13) ele esteve no Calçadão, no centro de Londrina, participando das atividades em alusão ao Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual.
O evento acontece pelo segundo ano no município e é promovido pelo Cap (Centro de Apoio Pedagógico para atendimento às pessoas com deficiência visual) de Londrina. Além de cartazes e folders educativos, o público prestigiou uma apresentação de balé e de goalball.
"O objetivo é conscientizar a sociedade quanto às barreiras que essa população enfrenta e, especialmente, quanto à prevenção. Temos altos índices de pessoas que perderam a visão, mas que poderiam ter evitado, pois muitos casos são em decorrência de doenças, como o diabetes", comenta Moacir Luciano da Silva, coordenador do Cap-Londrina.
Foi o caso de Souza. Ele é diabético há 30 anos e por complicações da doença teve um descolamento de retina e ficou cego. "Tentei vários tratamentos, mas foi impossível reverter esse quadro", conta.
O oftalmologista residente do Hoftalon (Hospital dos Olhos) em Londrina, Michel Saab, explica que, além da catarata e glaucoma, o diabetes é um dos fatores que causam cegueira nos adultos. Para se ter uma ideia, a cada 50 atendimentos que ele realiza diariamente no hospital, cerca de 30% têm relação com a doença.
"Uma das principais complicações é a retinopatia diabética. Quando o diabetes está descontrolado, pode causar uma inflamação nos microvasos dos olhos, rins e cérebro. A questão é que os sinais só aparecem quando o quadro já está grave", afirma.
Ele orienta que as pessoas busquem um oftalmologista assim que o diabetes for diagnosticado. "Esse acompanhamento pode estabilizar a progressão dessa ou outras complicações", completa Saad, que esteve no evento esclarecendo dúvidas.
EXPERIÊNCIA
Além do foco na saúde, a ação promoveu uma experiência àqueles que passavam pelo Calçadão. "Se a pessoa não convive com uma que tem deficiência visual dificilmente ela irá refletir sobre os desafios que enfrentam no dia a dia", destaca Silva, do Cap.
As irmãs Carissa e Emily Oliveira decidiram experimentar as caixas de sensações durante as compras. "Não conseguimos acertar tudo só pelo tato. Foi interessante e, de certa forma, uma novidade para nós. Pelo menos, paramos um pouco para pensar nas dificuldades que essas pessoas passam diariamente", conta Carissa.



