Londrina - Alimentos reaproveitados de um dia para o outro, presença de corpos estranhos na comida, pratos servidos frios, sinais claros de falta de higiene. Quem tem o costume de fazer refeições fora de casa já deve ter se deparado com alguma destas situações, algumas delas vividas em estabelecimentos aparentemente acima de qualquer suspeita. Justamente pela dificuldade encontrada pelo consumidor de identificar, à primeira vista, problemas relacionados às más práticas do setor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou o projeto-piloto de Categorização dos Serviços de Alimentação.
O projeto prevê a classificação dos serviços de alimentação nas cidades-sede da Copa 2014, para que os consumidores conheçam o nível de adequação sanitária dos locais onde estão comendo. Além das cidades que vão receber jogos do mundial, outros grandes municípios participarão da iniciativa com o objetivo de testar a sua aplicabilidade, entre eles Londrina.
A categorização também será feita nos aeroportos internacionais que atendem às cidades sede da Copa do Mundo Fifa 2014. O modelo do projeto é baseado em experiências bem-sucedidas em várias cidades do mundo, como Nova Iorque e Londres, e em países como Nova Zelândia e Dinamarca.
Para o coordenador do Setor de Alimentos da Vigilância Sanitária de Londrina, Pedro Afonso Figueiredo, a classificação é um esforço para que sejam respeitadas as boas práticas na produção de alimentos, já previstas em legislação própria, visando criar um padrão em todo o País. "No papel, esta padronização já existe, mas muitos não cumprem", observa Figueiredo.
Assim que o projeto entrar em vigor, os estabelecimentos exibirão sinalização indicativa da qualidade sanitária na fachada. De acordo com informações da Anvisa, esta sinalização será feita de forma "simples e acessível", sem desqualificar os estabelecimentos que estão aptos a funcionar. A estratégia está em construção e será divulgada em 2014.
A Vigilância Sanitária não divulga quais os estabelecimentos mais problemáticos no que diz respeito às normas sanitárias, mas só em Londrina é registrada uma média de 15 notificações por dia. Cerca de 5% se transformam em infração sanitária. "Recebemos, em média, 10 denúncias por semana, relacionadas principalmente à manipulação dos alimentos, higiene do estabelecimento, presença de corpos estranhos e produtos vencidos. Todas as denúncias são averiguadas, mas nem todas são comprovadas", informa Figueiredo.

Crescimento
A melhoria de renda da população brasileira e a adoção de novos hábitos, como o de comer fora de casa, levou a um aumento considerável no número de estabelecimentos do setor alimentício nos últimos anos. Só em Londrina houve um aumento de 61% na quantidade de bares e de 56% no número de restaurantes nos três últimos anos. Em Curitiba, o maior aumento ficou com as padarias e confeitarias, que registraram, desde 2010, um crescimento de 31%(confira quadro nesta página). Esta tendência, de acordo com o coordenador, tem feito com que muita gente sem experiência no ramo – e portanto sem conhecimento de todas as normas a serem seguidas – se aventure na atividade.
Os principais problemas detectados, de acordo com o coordenador, estão relacionados à estrutura física, que por ser adaptada, na maioria dos casos, apresenta deficiências na manutenção do ambiente de manipulação; ao método de conservação dos alimentos - que devem ser mantidos em temperatura abaixo de 7 graus ou acima de 65 graus para evitar a proliferação de micro-organismos; e à origem suspeita das matérias-primas utilizadas. Vale lembrar que recentemente o Ministério Público abriu inquérito policial para investigar a existência de abatedouros clandestinos de bovinos e suínos na região de Londrina.
Um dos cuidados que o consumidor deve ter ao escolher o estabelecimento onde vai se alimentar é observar se o mesmo conta com licença sanitária e se o documento está dentro do prazo de validade. Figueiredo ressalta que a licença deve estar sempre em local visível ao público. Outros indicativos importantes da confiabilidade do local são a eficiência do equipamento onde o alimento está exposto (ele deve ser capaz de mantê-lo em temperatura ideal); se o estabelecimento tem proteção anti-inseto nas janelas; se existe asseio no ambiente e se há presença de animais domésticos.
"No dia a dia, o consumidor é o principal fiscal das boas práticas. É ele quem deve exigir e denunciar quando houver indícios de irregularidade", argumenta o coordenador da Vigilância Sanitária de Londrina.

Serviço:
Denúncias à Vigilância Sanitária de Londrina podem ser feitas diretamente na sede do serviço, à Rua Attilio Octávio Bizatto, 480, Vila Siam, das 12 às 17 horas. Mais informações: (43) 3372-9406

Imagem ilustrativa da imagem Para comer sem medo




- Você já encontrou algum corpo estranho ou passou mal ao comer fora de casa?

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