Se grãos espalhados pelas rodovias demonstram o desperdício no transporte, para o consultor de logística da Conferação Nacional de Agricultura (CNA), Luiz Fayet, isso representa um índice pequeno e extremamente insignificante. ''As perdas na agricultura de grãos são muito mais financeiras que propriamente físicas. Aqueles grãos nas estradas não são o maior problema'', diz.
Segundo ele, menos de 0,11 a 0,14% da safra se perdem no caminho até os portos. ''Esta diferença é compensada no carregamento com uma margem de 0,25% a mais para eventuais perdas no manuseio'', complementa Fayet. A maior perda, conforme ele, está justamente do trajeto da lavoura até as unidades armazenadoras. ''Este percurso é precário. Diferente dos caminhões que fazem o transporte, detentores de alta tecnologia e vedação.''
A perda financeira, por sua vez, está atrelada principalmente ao escoamento da produção e custo operacional. ''O produtor paranaense tem cerca de R$ 2 de prejuízo por saca devido ao encarecimento proveninente de pedágios - mais caros que o custo da gasolina -, mau estado das rodovias e diária dos navios, que poderia ser carregado em menos tempo. Isto sim deve ser discutido, e não o grãozinho que cai na estrada'', rebate ele, frisando sobre a emergência de solução do apagão portuário.
Considerando somente a produção de soja, seguindo esse cálculo, o Paraná deve ter um prejuízo de R$ 467 milhões, ou 4,76% do lucro total. O valor é obtido pelo número total da safra transformado em sacas. ''Para outros estados esta perda é ainda maior, devido à distância do Porto.'' (M.T.)

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