Milton DóriaNovo métodoAlunos da escola estadual Attílio Codato: salas ambientes transformam a rotina do aprendizadoEm uma escola de 1º grau de Cambé, as salas de aula foram transformadas em verdadeiros laboratórios, cada um deles com equipamentos e materiais didáticos específicos para cada disciplina. E, ao invés dos professores se dirigirem para as salas, como acontece na metodologia tradicional de ensino, são os alunos que se deslocam de laboratório em laboratório a cada nova aula.
Essas mudanças fazem parte de um projeto denominado ‘‘Salas Ambientes’’ e que foi implantado no início deste ano na escola estadual Attílio Codato. A iniciativa não é nova, mas é considerada inédita pelo menos na região, segundo informações do Núcleo Regional de Ensino (NRE).
A diretora da escola, Estela de Fátima Camata, explica que o objetivo de mudar a metodologia de ensino é tornar as aulas mais interessantes, evitando, assim, a evasão escolar e, consequentemente, reduzindo os índices de repetência.
Ao todo são 15 salas transformadas em laboratórios, para as disciplinas de português, matemática, ciências, história, geografia, educação artística e inglês. As salas ainda estão sendo adaptadas e recebendo novos equipamentos, adquiridos com a ajuda da Associação dos Pais e Mestres da escola. Mas algumas diferenças já podem ser notadas. No laboratório de história, por exemplo, as paredes e até o teto estão forrados de desenhos, mapas e até artesanato indígena. Tudo resultado dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos.
A diferença com salas de outras escolas não fica apenas no visual. O método de ensino é baseado no construtivismo - o estudante constrói o seu saber. ‘‘O aluno aprende a ser mais participativo já que as aulas são mais práticas e menos expositivas’’, observa. Ela afirma que um resultado positivo já pode ser sentido. ‘‘Eles estão mais interessados’’, garante.
O fato de que os alunos ficam se deslocando de sala em sala, segundo a diretora, não prejudica o andamento das aulas. No início, existia o temor, confessa, de que eles demorassem a trocar de salas. ‘‘Mas eles não fazem isso.’’
O projeto envolve alunos de 4ª a 8ª série. Especificamente no caso dos estudantes da 4ª série, Estela Camata observa que a nova metodologia é benéfica para ajudá-los a passar para a 5ª série sem traumas. Na 4ª série tradicional, um só professor se encarrega de ensinar os alunos e, quando eles passam para a 5ª série, se deparam com oito professoras. ‘‘É um choque grande e até eles se encontrarem podem deixar de aprender muita coisa’’, afirma. No caso da escola de Cambé, alunos da 4ª série já têm aulas com quatro professores. A escola completa 20 anos neste ano e possui cerca de 1.100 alunos.

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