Ali na rua Santos, esquina com a rua Pio XII (Região Central de Londrina) às sexta-feiras pela manhã, o moderno encontra o tradicional. De um lado um mercado sofisticado, do outro a simples barraca de Santin Corci, 58 anos, onde ele manualmente conserta cabos de panelas e de outros objetos de cozinha. ''Estou há 25 anos em Londrina e desde então faço isso''.
Assim como ele, outras 243 pessoas, segundo dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) sobrevivem do dinheiro que ganham nas 32 feiras livres da cidade. Competem diretamente com os supermercados, que a cada dia crescem. Só para se ter uma idéia, nos últimos três meses duas novas e grandes lojas, de redes com destaque no Estado, foram abertas em Londrina. ''Não está fácil, não. Os supermercados têm atrapalhado bastante o movimento. Mas a gente vai trabalhando. Tem produtos que não tem lá e que tem aqui'', constata o feirante Carlos Fuce, 54 anos.
''Mas não é só por isso que as feiras resistem'', poderia dizer a dona-de-casa Tomico Takayama, 69 anos, ao comerciante. Todas as semanas ela vai à feira buscar verduras e legumes frescas para o prato especial feito para os filhos ou mesmo flores para o seu hotoke-san, um santuário caseiro onde se reza ''aos entes queridos''. ''Vai ter sempre espaço para as feiras. As pessoas daqui estão acostumadas à ir. No domingo, elas vão ao cemitério aqui no Centro e depois já fazem uma feirinha.''
Ainda em Londrina permanece a crença de que as verduras e legumes de feira são mais frescos e duram mais. Pelo menos é o que acredita a feirante Eliza Nakahodo: ''Aqui os produtos são melhores mesmo e tem mais capricho nas coisas. Entre os japoneses eu acho que tem essa crença. Eles preferem daqui por durar mais. É o que eles me falam''.
Tanto é verdade que outra dona-de-casa, Dirce Faria, 62 anos, nem se importa que o preço das bonitas alfaces seja um pouco maior. ''Tem mais qualidade e é mais saudável, por isso venho buscar as verduras, frutas e legumes aqui''. Já para Vitória Kurukawa de Oliveira, 77 anos, a comodidade de morar em frente à feira é que a leva às ruas. ''Como tenho dificuldade de andar, faço a feira''. Nascida debaixo de um pé de café, em uma fazenda do interior paulista, ela está em Londrina desde abril de 53, como faz questão de ressaltar, e defende: ''Aqui tem variedade, por isso nunca vai acabar a feira''.
O mesmo assegura o diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior. ''Pelo menos do Centro acho muito difícil acabarem. Nos bairros é que nós precisamos sempre fazer readequações. Tem bastante feirante desistindo''. Exemplo é a feira do Conjunto Vitória Régia, próximo ao Hospital Universitário (HU), na Zona Leste. Atualmente apenas duas barracas sobrevivem por lá. ''É uma pena, porque já teve mais gente trabalhando aqui. Pelo menos sobrou o pastel para me ajudar no movimento'', afirma o feirante José Cândido da Silva, de 72 anos.
Segundo Grotti Júnior, as feiras da região central, apesar das reclamações dos moradores locais, que não gostam do barulho e do trânsito interditado, já são tradicionais. ''As das avenidas Alagoas e Santos já existem há muitos anos, desde antes de ter tantos prédios por lá. E tem a da (avenida) Saul Elkind, na Zona Norte, que já é uma feira mais popular.''

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