Kraw PenasOportunidadeLiége Rocha, presidente da União Brasileira de Mulheres, quer discutir fim de direitos na Constituição A busca por espaço no mercado trabalho e o fim dos mais variados tipos de discriminação sofridas pela mulher vão ser reafirmados hoje em todo o País, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Em Curitiba, a presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Liége Rocha, diz que as entidades feministas pretendem aproveitar a data comemorativa para discutir a retirada de direitos constitucionais que estão em tramitação no Congresso Nacional e marcar a data como um dia de indignação. ‘‘Estão querendo que quem estiver gozando licença maternidade deixe de contar tempo de aposentadoria, o que é um absurdo’’, disse.
Os números das relações de trabalho no Brasil apontam uma grande diferença entre homens e mulheres, com o sexo feminino levando a pior em diversas comparações. Apeser de chefiarem 25% de todas as famílias brasileiras, grande parte das mulheres continua sendo tratada com diferença pelo mercado de trabalho.
No Paraná as preocupações em relação à condição feminina estão relacionados à realidade vivida no País, somadas às dificuldades impostas pela economia agrícola. Aqui elas respondem por 51% de população. Segundo a coordenadora da comissão Estadual da Mulher e secretária de Política Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Doris Margareth de Jesus, ‘‘a carga que recai sobre a toda a família cai sempre sobre a mulher’’.
Hoje há um total de 1,063 milhão de pessoas que ocupam postos de trabalho na Região Metropolitana de Curitiba. Desse número 627 mil são homens e 436 mil são mulheres. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) de outubro de 1997, enquanto os homens recebem um salário mensal médio de R$ 617,00, a remuneração média das mulheres é de R$ 359,00. Outro dado que retrata essa situação é que, de dezembro de 1994 até outubro de 1997, enquanto o desemprego aumentou 50% para as mulheres, os homens foram atingidos com a taxa de 40%. Um outro ponto que vem recebendo atenção é a discriminação ‘tripla’ da mulher negra, que é pior remunerada por ser mulher, negra e pobre.
A situação da mulher moradora na zona rural não é diferente. A coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres Trabalhadoras na Agricultura, Jacy Vans Perin, informa que até para obter documentação elas enfrentam dificuldades, por barreiras econômicas e culturais. Nas regiões Sudoeste e Central, que possuem a agricultura mais desenvolvida do Paraná, pesquisa com 69 famílias de pequenos agricultores registrou que 57% não possuíam qualquer documento de identidade.
‘‘Se com os pequenos proprietários, que ainda têm algum poder aquisitivo a situação já é triste, imagine com as mulheres que são trabalhadoras volantes’’, constatou. A mulher que trabalha no campo acaba sendo identificada como ‘‘do lar’’. Nesses casos, a mulher não consegue comprovar o tempo de serviço como trabalhadora rural, além de não ter acesso a financiamentos bancários.

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