Na sola da bota e na palma da mão, alunos da Escola Aliança espantaram, mesmo que por algumas horas, a solidão das senhoras que vivem no Lar das Vovozinhas Gilda Marconi, no Centro de Londrina. Para finalizar um projeto escolar, pelo menos 90 estudantes caracterizados com roupas caipiras apresentaram duas danças sertanejas em homenagem às idosas.
O projeto Homem do Campo, coordenado pela professora Angela Maria da Silva Ribeiro, discutiu em sala de aula a história dos trabalhadores rurais e como a vida no sítio evoluiu com a aparecimento de novas tecnologias.
Para colocar em prática o aprendizado, os alunos do pré até a quarta série produziram maquetes, ilustrando alimentos, vestes e ferramentas do homem do campo. Eles expuseram os trabalhos na escola, com a presença dos pais, e anteontem visitaram as vovozinhas para entender mais sobre a vida no sítio.
''Descobrimos que muitas senhoras que hoje vivem no lar já moraram ou trabalharam na zona rural'', disse Angela, contando que a idéia era aproximar as crianças das idosas e também proporcionar um momento de descontração para as vovozinhas.
Depois da apresentação, os estudantes entrevistaram as senhoras, para descobrir curiosidades da vida delas. Egydio Terziotti, de apenas 9 anos, estava ansioso para conversar com a vovozinha Maria Barão, de 84 anos. Egydio herdou o nome do avô, que sempre viveu no campo e foi vizinho de Maria, na zona rural da Londrina, durante muitos anos.
Sem dificuldade, Maria lembrou do avô do menino e de como era a vida na Londrina de antigamente. ''Ela disse que tem 84 anos e que conheceu meu vô, que morreu antes mesmo de eu nascer. Ela contou também que os irmãos dela cuidavam dos animais no sítio onde ela morava com a família dela'', relatou Egydio, ao lado do colega Luiz Fernando Móvio, de 8 anos.
Eles adoraram a experiência de conhecer o Lar das Vovozinhas e também de aprender sobre o homem do campo, ''que é o homem que nos dá comida'', explicou Egydio. ''Meu pai já viveu no sítio e eu já fui várias vezes. É mais gostoso porque dá para colher frutas e o ar é mais puro'', justificou o aluno.
Talicia Luiza Sales da Costa, 9, não sabia quase nada da vida no sítio, mas gostou de aprender, como os colegas Leonardo Silva Martins Peron, 7, e Maria Luiza Leal Calcanhoto, 8. ''O que mais gostei no campo foram as plantações'', revelou Leonardo. Para ele, brincar no sítio ''é muito melhor'' do que brincar na cidade. ''Na rua passa muito carro'', completou Maria Luiza.

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