Para advogado, há inversão de valores
O advogado Alberto Melhado Ruiz, que perdeu o filho em um assalto dentro de casa, em junho de 2007, conta que logo após o crime procurou por ajuda, mas não encontrou nenhuma instituição ou serviço público capaz de ampará-lo e à sua família. Rafael Bernardino Ruiz, na época com 19 anos, foi atingido no abdome por um tiro fatal, ao tentar socorrer o pai que era agredido pelos assaltantes. A gente percebe que os direitos humanos socorrem os violentadores, mas não socorrem quem sofreu a violência.
Para Ruiz, o que tem acontecido é uma inversão de valores: Os que cometem os crimes têm direitos, recebem assistência do Estado. Já as vítimas não. Está na hora de alguém tomar alguma iniciativa neste sentido, reivindica. Para o advogado, só quem passou pela dor de perder um filho sabe a sua intensidade. E como fica ainda mais difícil superá-la diante da sensação de desamparo. A gente fica perdido, não sabe a quem recorrer. Felizmente a nossa família é bem estruturada e nos agarramos um ao outro para conseguir tocar a vida.
Após a experiência traumática, a família mudou de casa, que sofreu um segundo assalto pouco tempo depois da tragédia. Tanto sofrimento também fez Ruiz adquirir um hábito: sempre que fica sabendo de alguém que está passando pela mesma experiência, ele procura entrar em contato para prestar solidariedade. Às vezes nem conheço a pessoa, mas ligo e digo que sei o que ela está passando. Pode não parecer, mas saber que outras pessoas passam pela mesma dor ajuda muito. (S.L.)





