O delegado Fauze Salmen, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), disse ontem que as delegacias e distritos que têm carceragem estão explodindo. Ele deu o prazo de quatro meses para que a situação fique insustentável novamente. ''Em três ou quatro meses, tudo volta ao que era antes'', previu.
Salmen destacou que a criminalidade é crescente no Paraná. Os policiais civis ainda cuidam de presos. Sessenta mil mandados de prisão expedidos pela Justiça ainda não foram cumpridos. ''Se um terço disso fosse cumprido, não teríamos vagas nas casas de custódia'', salientou ele. Atualmente, acredita-se que cerca de 34 policiais civis são usados por turno para cuidar de detentos em distritos e delegacias especializadas de Curitiba.
A Secretaria de Segurança promete que a situação não vai se agravar. Até o final do ano deve ser inaugurada uma nova penitenciária em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, com capacidade para 450 presos. As vagas serão remanejadas. Sessenta presos condenados da Capital serão removidos para Foz do Iguaçu e 450 da Prisão Provisória de Curitiba (PPC) vão para a nova unidade. Com isso, a PPC poderá abrigar 510 presos provisórios.
A situação dos condenados ficaria tranquila, com sobra de vagas na Capital paranaense. Até o final do ano, deverão existir no Paraná 7.790 vagas. Cálculos do governo demonstram que 6.367 presos paranaenses são condenados.
O advogado Dálio Zippin Filho, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), comemorou a decisão de abrir novas vagas no sistema penitenciário. Mas lamentou o fato de nada ter sido pensado em relação às mulheres. O 9º Distrito Policial, no bairro Santa Quitéria, abriga atualmente 65 presas e a capacidade máxima é para 40. ''Ninguém pensou no problema delas. Tem 15 mulheres numa mesma cela. A situação é caótica'', declarou ele.

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