Representantes das Polícias Civil e Militar de Londrina afirmam que uma lei que limite o horário de funcionamento dos bares poderia contribuir para diminuição da criminalidade na cidade. A declaração reforça uma orientação dada pelo Governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), aos prefeitos da região metropolitana de Curitiba, em um reunião realizada recentemente. O governador recomendou que os bares fechem às 23 horas.
De acordo com Requião, há estudos comprovam a relação do álcool com a criminalidade. Entre os exemplos, o governador citou que dos 217 homicídios registrados em Curitiba em 2004, 134 ocorreram dentro de bares ou a pelo menos 100 metros destes estabelecimentos. ''Não só o consumo de bebida alcoólica, mas o simples fato de local ficar aberto até tarde propicia os crimes'', declarou o delegado adjunto da 10 Subdivisão Policial de Londrina (SDP), Márcio Vinícius Amaro.
Assim como ele, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, coronel Manoel da Cruz Neto, enfatiza que com os bares fechados o número de pessoas circulando é menor. ''Se a pessoa fica em casa as chances de ser baleada e assaltada são menores'', exemplificou. Apesar de constatar que muitos crimes têm relação com o consumo de bebidas alcoólicas, o delegado adjunto disse que não há estatísticas que comprovem o fato.
De acordo com dados do setor de Alvarás da prefeitura, no total são 748 bares em Londrina, que também oferecem serviços de lanchonete, mercearia, restaurante e jogos. Já o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares tem registrados 850 estabelecimentos. Segundo o superintendente do sindicato, Alzir Bocchi, este número pode ser ainda maior pois os bares clandestinos não foram contabilizados.
Para Bocchi, uma lei com este teor poderia ferir o direito constitucional de ir e vir do cidadão. ''Em uma cidade como Londrina, que recebe turistas e empresários, não pode haver uma proibição como esta'', argumentou o superintendente. Ele ressaltou que a maioria dos crimes ocorre na perifería, onde deveria haver uma fiscalização mais intensa.
Seguindo o mesmo raciocínio, o secretário Estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, disse que antes é preciso mapear os locais onde a criminalidade é maior e elaborar regras específicas para a região . ''Esta é uma questão de segurança pública que deve ser tratada com critério'', enfatizou. O presidente do Conselho de Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, fez outra recomendação. ''É preciso investir em recursos humanos e materiais para todas as polícias. Só assim diminuiria a violência.''
Há seis anos, o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) criou um projeto que delimitava o horário de funcionamento dos bares das 8 às 22 horas. O documento também previa multa para os proprietários que insistissem em manter o estabelecimento aberto, além de responsabilizá-los por qualquer tipo de agressão ou brigas no local. ''O projeto foi arquivado devido à resistência dos comerciantes e porque este tipo de iniciativa tem que ser do poder Executivo'', disse Tamarozzi. Em 2002, um novo projeto com mesmo teor, de autoria do vereador Orlando Bonilha (PL), transitou na Câmara mas também foi
arquivado.
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