Ele havia nascido no interior de São Paulo. Quando jovem tentou a vida na grande São Paulo, mas não se deu muito bem. Foi assim que aceitou o convite do irmão para tocar uma loja em Londrina. Começou a estudar direito, mas teve que desistir da carreira de advogado. Os negócios prosperaram e ele foi pra frente, empolgado.
Comprou seu primeiro carro, uma picape, e encontrou a mulher de sua vida durante um ‘‘footing’’ na Avenida Paraná. Se apaixonou, casou e teve três filhos homens. Comprou uma boa casa e tinha todo o tempo do mundo para a família.
Trabalhava bastante, de olho no futuro do negócio. A mulher, uma professora, ficava feliz em poder almoçar em casa com ele presente. Brincava com os filhos e resolvia os problemas caseiros. A ‘sesta’ após o almoço era fundamental.
No serviço, era conhecido como um bom patrão. Justo, honesto e bravo nas horas certas. Com os amigos, era o amigão. Respeitado, bonachão e bom contador de piadas. Nas horas vagas, gostava de ler e meditar. Seu sonho era ser poeta, tantos eram os poemas que escrevia na surdina e guardava nas gavetas. Vez ou outra, agradava a esposa com um deles bem inspirado.
Já com os filhos criados, semi-aposentado, com seus 60 e poucos anos, levava uma vida tranquila. Saía do trabalho e quase que diariamente passava no bar do Mercado Municipal para rever os amigos, fazer a ‘fezinha’ no jogo do bicho e tomar suas cervejinhas. Chegava em casa lá pelas oito, entrava no banho e apreciava uma boa sopa com pão - um costume de família italiana.
Naquele dia, resolveu fazer diferente. Saiu do trabalho, passou no Mercadão, mas não parou no bar. Os amigos estranharam. Foi direto à floricultura e comprou uma dúzia de rosas, dessas vermelhas, tipo ‘paixão’. Foi pra casa mais cedo e surpreendeu a mulher.
Com o sorriso no rosto, ela pegou o cartão e leu: ‘‘Para a melhor mãe do mundo! Feliz Dia das Mães. Te amo’’. Foi o bastante para ela nunca esquecer daquele dia.

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