Para a família, garota diz que está na escola
Para a família,
garota diz que
está na escola
Minissaia curtíssima e blusinha frente única. Cabelos molhados e nenhuma pintura no rosto angelical. De ônibus, acaba de chegar num ponto de prostituição da Avenida Leste-Oeste, a loirinha Alessandra nome de guerra. São cerca de 18 horas de sexta-feira. Ela afirma que mora num bairro pobre da zona norte com a mãe desempregada e três irmãos ainda mais novos. O pai, separado, é alcoólatra e não ajuda a família.
Alessandra diz ter 16 anos de idade. Ela parou de estudar aos dez anos e começou a se prostituir há cerca de dois. Preciso arrumar dinheiro para ajudar minha mãe a criar meus irmãos. Nunca gostei de ir à escola. Como não consegui arrumar emprego, por causa da minha idade e de não saber fazer nada, o jeito foi entrar pra esta vida, conta.
Com ela, trabalha Valdenice também nome fictício , 15 anos. Ela alega os mesmos motivos para se prostituir. As garotas fazem ponto na avenida das 18 às 23 horas, quase todos os dias da semana. Para a mãe e irmãos, Valdenice diz que vai ao colégio ou passear no centro da cidade.
Às vezes, tenho medo dos homens, quando são mal encarados. Apanhei muito do meu pai, quando era criança e ele ainda vivia lá em casa. Ainda bem que foi embora, comenta Valdenice. As duas contam que cobram de R$ 15,00 a R$ 50,00 por saída; dependendo do programa que o cliente deseja fazer. Normalmente elas vão a motéis que dizem não dificultar a entrada de menores. As duas afirmam que seus parceiros sempre usam camisinhas e normalmente são homens casados, sexualmente insatisfeitos com as esposas. (O.C.)





