'Paqueiros' enfrentam riscos e sacrifícios
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quarta-feira, 27 de abril de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Na gíria dos taxistas, os ''paqueiros'' são os motoristas auxiliares que não são donos do próprio veículo nem do ponto onde trabalham. São aqueles que, digamos assim, cumprem uma rotina de ''super-heróis'' na ruas: enfrentam longuíssimas jornadas diárias de trabalho, sujeitam-se aos riscos e perigos escondidos nas madrugadas, sofrem com a concorrência feroz e ainda precisam dividir o lucro do dia com o patrão.
Em Londrina, onde existem oficialmente 344 taxistas, eles formam uma divisão com cerca de 250 homens. Boa parte deles estava aposentada e iniciou na atividade para complementar a renda familiar.
Para trabalharem de forma legal, os motoristas auxiliares precisam de alvará emitido pela prefeitura e de uma carteirinha da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) solicitada, por escrito, pelo taxista titular do ponto. Mas nem todos possuem o documento. Regulares ou não, eles dominam quase que por completo os pontos da Região Central no período da noite.
Buscando uma fonte extra de renda, o entregador Anderson André Moreira, 26 anos, passou a trabalhar como paqueiro nas noites dos finais de semana e dos feriados há pouco mais de um mês. Ele espera lucrar cerca de R$ 200,00 mensais. A dupla jornada reduziu o convívio com a esposa e com a filha pequena. O sacrifício vale a pena? ''Compensar não compensa, mas ajuda porque é um extra que a gente precisa''.
Outro que trabalha como paqueiro às noites é Edgar Hill, 49 anos. O carro e o ponto pertencem a um irmão que trabalha durante o dia. ''Vantajoso não vai ser nunca porque temos que pagar para trabalhar'', ironiza. Ele ensina que um dos segredos para se precaver dos perigos das madrugadas ''é observar bem quem está entrando no carro''.
Esses riscos o também paqueiro João Camilo, 64 anos, conhece muito bem. Taxista há 24 anos nove deles trabalhando à noite ele já sofreu três assaltos. No último, saltou do carro quando parou num semáforo. ''Nos outros eu encarei na mão mesmo'', diz Camilo, fazendo pouco do perigo que correu ao reagir. Mesmo assim, ele não abandona a madrugada porque ''de dia só passa raiva''.
Paqueiro há nove anos, Levi Camargo, 62 anos, explica que paga ao dono do carro e do ponto R$ 1,05 para cada quilômetro rodado. ''No final das contas, dá para tirar uns R$ 500,00'', calcula. Ele conta que começou na profissão após se aposentar como motorista. Seu expediente diário não tem menos do que 14 horas e inclui feriados e finais de semana, sempre durante o dia para evitar os assaltos. Com isso, sobra pouco tempo para ver os netos crescerem. Mesmo assim, ''ainda não deu para investir'' e se tornar dono do próprio negócio. Camargo diz que gosta do que faz mas reclama que a concorrência de vans, microônibus e dos mototaxistas, está abocanhando uma boa parte da fatia de mercado dos taxistas.
A reclamação também é feita por quem é dono do próprio táxi, como o pernambucano Manoel Lino da Silva, 65 anos. Taxista há 9 anos ele diz que ''trabalha com três enxadas rádio, telefone e ponto mas nenhuma parece que funciona''. O pequeno lucro, segundo ele, é fruto da concorrência desleal feita principalmente pelos mototaxistas. No seu ponto, localizado na Rua Minas Gerais com o Calçadão, as motos podem ser vistas a uma distância de cerca de 10 metros. ''Já tentamos com o sindicato e com a CMTU, mas o fiscal chega, bate no ombro do motociclista e não faz nada. Tem que multar.''


