Cerca de 40% do lixo urbano é papel. A reciclagem industrial recupera, atualmente, 30% dos papéis descartados no País. Cada tonelada reciclada poupa, em média, 60 eucaliptos adultos, 2,5 barris de petróleo, 50% da água usada na fabricação normal e o volume de cerca de três metros cúbicos nos lixões e aterros. A reciclagem também gera menos poluição da água (65%) e do ar (26%) do que a fabricação, a partir da celulose virgem, segundo o World Watch Institute.
Em Londrina, o papel representa metade do material coletado pelos recicladores. ''É o maior índice de coleta seletiva do País, mas ainda é pouco pois nem toda a população adere à prática. Muitos catadores não têm interesse porque o material vem sujo e misturado e vale de 25% a 30% menos que o material branco'', diz a gestora executiva da coleta seletiva do Município, Marilys Garani.
Conforme Sandra Araújo Barroso Silva, presidente do Conselho das Organizações dos Profissionais da Reciclagem dos Resíduos Sólidos de Londrina (Cepeve), as duas centenas de associados respondem por 60% da coleta seletiva da cidade, na qual o papel representa 30%. A tonelada do papelão tem sido vendida a R$ 200, enquanto a tonelada do papel branco vale R$ 380 no mercado.
Já a diretora financeira da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Londrina e Região Metropolitana (Coopersil), Verônica Cardoso Costa, aponta que os 120 catadores cooperados faturam cerca de R$ 300 mensais, sendo que 50% da renda é resultado da venda do papel.
Imprescindível para a sobrevivência de centenas de famílias de Londrina, o papel também é alternativa de renda para empresas e até artesãos. Exemplo positivo do uso racional é o programa de gestão ambiental da Unimed. Conforme Fabianne Piojeti, especialista em responsabilidade social da cooperativa, há cinco anos a empresa decidiu adotar o papel reciclado nas correspondências, em boletos, envelopes, relatórios médicos e até em revistas e materiais publicitários. ''No início houve resistência, pois o papel reciclado era mais escuro, mas a qualidade melhorou e hoje 80% do que é usado na empresa é reciclado e apenas 20% é papel branco.''
Para Fabianne, a escolha pelo reciclado ultrapassa o respeito ao meio ambiente: ''Tem a questão social também, já que com a coleta seletiva a empresa ajuda as ONGs de catadores.'' Outra política verde é imprimir somente o necessário e usar os dois lados da folha de papel.
Batizada de TI verde, a campanha interna, criada pelo setor de Tecnologia da Informação, que prevê, entre outras ações, o uso do papel reciclado, contribui significativamente para a redução dos gastos com energia, manutenção e compra de tinta para as impressoras.

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