Papel da família é decisivo
Curitiba - Para evitar que medida sócio-educativa cumprida pelo adolescente fique prejudicada, é necessário que a família também seja alvo de um atendimento. "É importante que tenha integração com a medida senão não faz nenhum sentido", afirma o coordenador de sócio-educação da Secretaria de Estado da Criança e Juventude, Roberto Peixoto.
A secretária de Estado da Criança e da Juventude, Thelma Oliveira, aponta outra alternativa para evitar que os jovens envolvidos no crime morram ou reincidam. "Uma família que tem um filho ameaçado tem que mudar de lugar para se proteger e proteger seu filho. Esse menino pode morar com uma tia, com uma avó, em algum lugar. Esses cuidados, que daí o Estado não consegue chegar, essa proteção quase que individual é uma questão dificil de ser alcançada. Acho que tem que haver um esforço de todas as pessoas, de todas as entidades voltadas à protegê-los", diz.
Uma característica comum entre as famílias dos adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas e um dos principais fatores que motivam o envolvimento do jovem em atos infracionais e ainda o fracasso da ressocialização é o que a diretora do Cense Fazenda Rio Grande chama de família desestruturada. "A mãe desmoralizada é aquela que não tem autoridade sobre o filho. Ele diz você não pode mandar em mim porque traz homem pra dentro de casa, ou não vive dentro de casa. Porque não me dá o que comer, vive bêbada. O pai é a mesma coisa", exemplifica.
Ao contrário da opinião da diretora Margarete, a secretária Thelma acredita que existe uma idéia falsa da família estruturada que é a "do comercial de margarina", uma família sem problemas, idéia essa que precisaria acabar. "Mas toda família tem problemas e é um núcleo de contradição, de aprendizagem, de poderes pequenos e grandes e de conflitos. Toda família é ao mesmo tempo estruturada e desestruturada", apontou Thelma.
Entre os fatores mencionados pela secretária estão a quebra de vínculo (com a mãe e com o pai) e a ausência de limites. "A gente assite hoje a um fenômeno no Brasil que é um aumento de famílias inteiras criadas só por mulheres (veja infográfico). A função da mulher na educação é chamada de função materna, que é a de nutrir, alimentar e proteger. E a função paterna é a função do não, do limite. É possível uma mulher ou um homem cumprir as duas funções, mas é muito mais difícil", explicou Thelma. De acordo com ela, a ausência de limites seria um fator de risco determinante para o ato infracional. (C.G.B. e D.R.)





