Papai Noel o ano todo
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de dezembro de 2002
Vânia Moreira<BR>Equipe da Folha 
Umuarama - A catadora de papel Selvina nunca teve um Natal tão gordo como este ano: ganhou três cestas básicas de alimentos. ''Toda hora aparecia alguém diferente para me entregar uma cesta'', comemorou. Papai Noel também foi generoso com as seis crianças da família, três filhos e três sobrinhos que ela cria. Todos ganharam mais de um brinquedo cada um. Com tanta crise, dona Selvina achava que não ganharia nada, que o dia de Natal seria tão pobre quanto os outros 364 do ano. Mas o espírito de Natal e a solidariedade do brasileiro continuam em alta, independente da crise.
Milhares de pessoas doaram alimentos e brinquedos nas diversas campanhas realizadas para dar um Natal mais alegre aos pobres. O problema é que agora a mobilização se desfaz, todos voltam ao seu dia-a-dia, enquanto a luta pela sobrevivência continua. Dona Selvina volta a catar papel para tentar sustentar as sete bocas da família nos próximos 364 dias do ano. E em muitos desses dias, não terão nada para comer. ''Seria bom se toda vez que a gente estivesse com a corda no pescoço aparecesse alguma alma caridosa com uma cesta de alimentos. Mas Papai Noel só aparece uma vez por ano, não é mesmo?'' - conforma-se.
Se faz tão bem às pessoas compartilhar um pouco do que tem com quem nada tem, durante o Natal, por que não fazer disso uma prática permanente? As pessoas precisam de ajuda o ano inteiro. O slogan de uma das maiores mobilizações solidárias do Brasil não combina com a periodicidade da campanha, apenas no Natal. ''Quem tem fome, tem pressa''. É preciso comer hoje, amanhã e não daqui a 11 ou 12 meses. Apesar das mobilizações em socorro aos necessitados ainda se concentrarem no final de ano, já há sinais de avanço. Com certeza, chegará o dia em que, além de três cestas de alimentos no Natal, dona Selvina receberá várias outras durante o ano.


