As irmãs Eloísa (7 anos) e Érica Taborda dos Santos (5 anos) receberam na manhã de ontem, uma visita inesperada: Papai Noel. O velhinho compareceu à casa em que moram no Bairro Novo B, em Curitiba, para entregar os presentes pedidos em uma carta entregue em uma agência dos Correios.
Carregando dois enormes pacotes com bonecas do tamanho de uma criança, Papai Noel emocionou toda a família, que é de baixa renda e vive do trabalho do pai, o marceneiro autônomo Bráulio Ferreira da Luz. ‘‘Minhas filhas pediam as bonecas há mais de um ano, mas não estava com dinheiro para comprar. O Natal ia ser uma tristeza total’’, disse a mãe das crianças, Eunice Taborda dos Santos, que escreveu a carta sorteada.
A surpresa que emocionou a família de Eloísa e Érica é organizada pelos Correios há 7 anos. Os funcionários fazem o sorteio de uma carta entre todas as que chegam endereçadas a Papai Noel e realizam o pedido do autor. Segundo a técnica em vendas, Clarice Guimarães Oliveira, que há quatro anos coordena o projeto, a carta premiada foi uma das 400 correspondências enviadas de todo o Estado. ‘‘Faz parte do papel social da empresa realizar o sonho de ao menos uma criança’’, disse.
Adultos - O que mais impressiona, no entanto, é o número de cartas escritas por adultos. A coordenadora do projeto explicou que a presença de cartas de adultos é cada vez mais constante. Segundo levantamento dos funcionários mais de 40% de todas as cartas respondidas não são enviadas por crianças. ‘‘Temos aposentados pedindo cestas básicas, pais pedindo remédios e exames para os filhos e, como todo o ano, pedidos de emprego’’, disse. Clarice Guimarães informou que a curto prazo não está previsto nenhum trabalho de assistência social a estas pessoas.
O dinheiro para a realização do sonho das crianças é conseguido por meio de doação de empresas. Este ano a participação não foi conseguida e os funcionários dos Correios ratearam as despesas para comprar os presentes e contratar Papai Noel.
Entre todas as cartas pedindo de tudo, uma se destacava pela simplicidade. Uma criança que se identificava apenas como ‘Joice’, pedia em cerca de dez linhas apenas para não apanhar do pai se não fosse aprovada na escola. ‘‘Papai Noel me ajude a passar de ano. Se eu não conseguir, fale para meu pai não me bater. Para mim isto está mais do que bom. Um beijo Joice’’.

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