Papai Noel atende dona de casa
Silvana Leão
De Londrina
Na véspera de Natal, a dona de casa Ruthinéa Azevedo Lopes, de 34 anos, foi surpreendida logo de manhã pela visita de dois funcionários dos Correios. Eles foram cumprir uma nobre função: a de atender pelo menos em parte o pedido feito por ela em carta enviada no começo do mês ao Pólo Norte. O pedido: uma compra de supermercado e trabalho.
Ruthinéia se diz cansada de ouvir nas agências de emprego que não tem chances de conseguir uma colocação por já ter passado dos 30 anos. Mãe de duas filhas, morando numa casa simples de cinco cômodos no Jardim Pindorama (zona oeste), Ruthinéa não se intimidou em seguir o exemplo das crianças, e escreveu também para o Papai Noel. O Papai Noel para mim é a força que nos move, é o sentimento que entra no nosso coração e faz com que juntemos um pouquinho de cada um para ajudar o próximo.
A dona de casa separou-se do marido há quatro anos e mora sozinha com as filhas Lídia, de 10 anos, e Cristina, de 5. Vive da pensão de R$ 200,00 recebida do marido e de R$ 68,00 que recebe da igreja onde faz serviços de secretária. Não chega a faltar o que comer, mas só dá para comprar o essencial. Há muito tempo eu como e vivo de fé, diz.
Ontem ela e as filhas ganharam quatro cestas básicas e alguns brinquedos. Ela emocionou-se ao ler, em voz alta, a resposta do Papai Noel. Meu sonho agora é conseguir um trabalho, para que eu possa dar um nível de vida razoável às minhas filhas.
Os funcionários dos Correios envolvidos no trabalho de responder as cartas escritas ao Papai Noel deverão preparar, nos próximos dias, a ficha de aptidões de Ruthinéa para tentar sua colocação no mercado de trabalho. Ela revela que tem paixão por livros e sonha em montar ou trabalhar em uma biblioteca. Com 2º grau completo, ela chegou a cursar um ano de teoria musical e já deu aulas de violão. Eu sei que tenho capacidade, mas é preciso que alguém acredite nisso.





